Zelaya não tem prazo para deixar embaixada, diz Amorim

Líder deposto de Honduras está abrigado na missão brasileira desde 21 de setembro

Luciana Nunes Leal, da Agência Estado,

15 de outubro de 2009 | 14h35

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira, 15, que acompanha "com cautela" as negociações para resolver a crise política em Honduras e defendeu a recondução do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder. Questionado se há um prazo para Zelaya e sua comitiva deixarem a embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde estão instalados, Amorim respondeu: "Nós não temos. O prazo é a credibilidade do processo eleitoral."

 

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"O Brasil foi o primeiro a dizer que uma eleição que não fosse conduzida dentro do sistema democrático não teria credibilidade. Sistema democrático significa restituir o presidente Zelaya ao poder. Se é com o governo de união nacional, se é com uma comissão que vai controlar, isso tudo é perfeitamente discutível", afirmou o ministro.

 

O ministro se disse confiante de que os representantes de Zelaya e do presidente interino, Roberto Micheletti, chegarão a um acordo. "Estamos otimistas. Tenho acompanhado, recebido informações de Honduras e da OEA (Organização dos Estados Americanos). As informações não eram definitivas, mas eram positivas", declarou Amorim.

 

Restituição

 

À meia-noite desta quinta, vence o prazo final colocado por Zelaya para que haja uma saída negociada para a crise no país. Negociadores de Zelaya e de Roberto Micheletti voltam à mesa de negociações para buscar um pacto ainda nesta quinta.

 

O grande ponto de discordância entre as partes é o retorno de Zelaya ao poder. Na quarta-feira, Micheletti disse que a restituição de Zelaya é uma questão legal que deve ficar a cargo da Corte Suprema.

Os dois lados já concordaram em estabelecer um governo de união nacional. 

 

Zelaya não disse que atitudes pretende tomar caso o prazo imposto por ele para um acordo expire. O líder deposto exige retornar ao cargo antes das eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro.

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