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Zelaya nega que busca reeleição e promete punir golpistas

Na ONU, presidente de Honduras afirma que foi deposto por 'grosseiro corpo militar' e diz que voltará ao país

Reuters, Efe e Ansa,

30 de junho de 2009 | 16h32

O presidente destituído de Honduras, José Manuel Zelaya, negou nesta terça-feira, 30, na sede da ONU em Nova York, que estaria buscando um segundo mandato, como argumentam os militares que o depuseram, e prometeu que os "culpados não ficarão impunes". Pouco antes do discurso, a Assembleia Geral da ONU condenou o golpe de Estado no país centro-americano e exigiu o retorno imediato de Zelaya ao poder.

 

O chefe de Estado disse que foi vítima de um golpe realizado "por um grosseiro corpo militar", e que os responsáveis serão identificados "para que isto não ocorra mais". No domingo, Zelaya foi deposto e expulso do país sob a alegação de que um possível referendo para reeleição colocava "em perigo" o Estado de direito. "Se me oferecessem a possibilidade de permanecer no poder, não o faria", afirmou o presidente, que assegurou que irá retornar a Honduras na quinta-feira acompanhado por dirigentes da Argentina, Equador e Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

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Zelaya também considerou "histórica" a resolução da ONU de condenação, e destacou que decisões como esta dão "força até o último cidadão do mundo para brigar pelas grandes conquistas da humanidade, pelo direito à vida, à liberdade, à justiça". Citando os líderes dos blocos regionais - OEA, União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Grupo do Rio e Aliança Bolivariana para os povos da América (Alba) - o líder deposto agradeceu a todos pelo apoio e pela condenação "unânime" contra a ação cometida em seu país.

 

"Hoje, esta decisão vem a somar ao que já haviam feito os países da América", disse Zelaya, que pediu também que sejam traçados "os passos para o futuro". No domingo, o presidente foi levado à Costa Rica, onde logo recebeu as primeiras manifestações de apoio. Na segunda-feira, na Nicarágua, ele se reuniu com os membros do Sistema de Integração Centro-Americano (Sica), da Alba e do Grupo do Rio, que também ratificaram apoio ao governo democraticamente eleito pelo povo hondurenho.

 

Zelaya diz que pretende voltar a Tegucigalpa e assumir o cargo para o qual foi eleito. Inicialmente, o novo governo disse que ele poderia voltar, desde que como "cidadão comum". Depois, porém, o novo presidente, Roberto Micheletti, afirmou que ele seria preso, caso retornasse.

 

Em uma entrevista à rádio hondurenha América, Micheletti disse que Zelaya tentou negociar o retorno. "Ele falou com um alto militar e disse que queria negociar. O oficial respondeu que não havia nada que negociar, que já havia um novo governo no país que ele devia respeitar", afirmou. O líder interino não disse quando ocorreu a conversa, nem revelou o nome do militar.

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