Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

Zelaya pede ao mundo medidas 'mais drásticas' contra golpistas

Presidente deposto de Honduras defende tribunal internacional e imparcial para julgar grupo de Micheletti

Efe,

23 de julho de 2009 | 10h23

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu à comunidade internacional medidas "mais drásticas" contra os golpistas de seu país, em uma carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

 

Em entrevista publicada nesta quinta-feira, 23, no diário alemão Süddeutsche Zeitung, Zelaya pede "medidas econômicas e pessoais contra os golpistas".

 

Ele afirma que decidiu voltar a seu país em virtude do fracasso da mediação do presidente costa-riquenho e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias, que atribui o desfecho exclusivamente à negativa dos golpistas em aceitá-la.

 

Questionado se havia aceitado o plano de sete pontos, inclusive o abandono de seu projeto de convocar um referendo para modificar a Constituição, Zelaya afirmou que "sim, mas os sete pontos nem chegaram a ser discutidos porque os golpistas não os aceitaram".

 

A respeito das acusações do presidente hondurenho em exercício, Roberto Micheletti, de que teria violado a Constituição e cometido outros delitos, além de o ameaçar de prisão, Zelaya diz que sempre esteve disposto a submeter-se à Justiça, mas não "a um regime ilegal". "Para ele seria necessário um tribunal internacional e imparcial, que também julgaria os que cometeram este golpe", afirma.

 

Na entrevista, Zelaya reafirma seu apoio ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e garante que, contra as afirmações "da direita" de que a situação atual de Honduras foi alimentada por Chávez, o povo hondurenho "não está mais disposto a se submeter à repressão".

 

"Nunca mais a cúpula militar ou polícia tirará dos hondurenhos o direito de eleger. O direito do povo à participação política é sagrado e não se negocia com nenhuma elite", sustenta.

 

Diálogo

 

A comissão de diálogo de Micheletti declarou ao mediador Arias que "Honduras segue aberta ao diálogo". "Não queremos anistia, queremos a verdade", afirmou Arturo Corrales, um dos membros da comissão de Micheletti, que retornou na quarta-feira, 22, à Costa Rica, onde os enviados de Zelaya consideraram "fracassado" o diálogo com Arias.

 

O novo ministro das Relações Exteriores hondurenho, Carlos López, que faz parte da comissão de Micheletti, disse que a restituição de Zelaya, proposta por Arias, está fora das mãos do poder Executivo, "porque em Honduras existe uma separação de poderes". López afirmou que a iniciativa de Arias será entregue aos três poderes de Honduras, para que determinem se o diálogo continua.

 

Para o ministro, aceitar o retorno de Zelaya como presidente seria "transgredir" a lei, algo que o líder deposto teria feito e pelo que foi acusado.

 

Rixi Moncada, membro da comissão de Zelaya no processo de diálogo, disse que "o processo de San José fracassou pela intransigência do governo golpista (de Micheletti)", o qual condenou e acusou pela "repressão" vivida em Honduras. 

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