Zelaya pede que população desafie toque de recolher

Líder deposto de Honduras diz que já estabeleceu 1º contato com golpistas e incita marcha até Tegucigalpa

22 de setembro de 2009 | 09h03

O presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou na madrugada desta terça-feira, 22, que manteve os primeiros contatos para iniciar o diálogo com as autoridades do governo golpista liderado por Roberto Micheletti. Zelaya pediu durante a noite de segunda-feira que a população desafie o toque de recolher e inicie uma marcha rumo à capital, Tegucigalpa.

 

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 "Chamo todos os cidadãos que venham para Tegucigalpa porque estamos na ofensiva final para a restituição da presidência", afirmou ele a uma rádio local desde a embaixada brasileira. "Se o regime não ceder, as medidas da comunidade internacional serão agravadas", afirmou Zelaya, acrescentando que "o povo hondurenho também vai adotar medidas".

 

"Estamos começando a fazer as aproximações de forma direta. Sempre foi por meio de intermediários e diferentes componentes que apresentaram para este assunto", afirmou em entrevista a um canal de TV local. Zelaya disse ainda que quando tiver uma proposta específica, ela será tornada pública. O líder deposto não quis citar nomes das pessoas do governo golpista que está em contato, mas afirmou que "setores muito determinantes do Estado estiveram envolvidos no golpe". Ele também não deu detalhes se chegou a falar com Micheletti ou os chefes militares. "Estamos tendo diferentes mecanismos de comunicação com os setores responsáveis por este golpe de Estado com o fim de que recapacitem e busquem uma solução para o povo".

 

Ele ainda rechaçou as eleições planejadas para novembro. "As eleições serão realizadas quando existir liberdade para todos os setores", mas "se forem realizadas sem liberdade, quando o presidente eleito pelo povo está banido", essas "não são eleições honestas", afirmou.

 

Honduras vive outra vez uma crise profunda com o inesperado regresso do presidente deposto ao país centro-americano, que fez surgir novamente o fantasma de protestos violentos e uma disputa diplomática com o Brasil. Zelaya retornou secretamente ao país e se refugiou na embaixada brasileira para evitar ser preso, quase três meses depois de ser derrubado num golpe de Estado.

 

Simpatizantes do presidente de esquerda se reuniram na frente da embaixada para manifestar seu apoio, mas o governo em vigor em Honduras desde o fim de junho anunciou um toque de recolher até a noite de terça-feira para acabar com os protestos. Além do toque de recolher, o governo do presidente interino Roberto Micheletti advertiu o Brasil que seria "diretamente responsável pelos atos violentos que possam ocorrer dentro ou fora" da embaixada.

 

Zelaya foi deposto e expulso do país em 28 de junho por soldados armados para a Costa Rica, quando pretendia realizar uma consulta popular que poderia abrir caminho para a reeleição presidencial, algo considerado por seus críticos como uma mostra da influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Honduras.

 

A queda de Zelaya colocou Honduras em sua pior crise política em décadas e foi condenada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Barack Obama, União Europeia e outros governos latino-americanos. Não havia sinais de que as forças de segurança hondurenhas tentaram entrar à força na embaixada, mas o chanceler Celso Amorim, disse a jornalistas em Nova York que "qualquer ameaça à embaixada brasileira seria uma violação da lei internacional".

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