Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

Zelaya promete deixar embaixada brasileira até janeiro

Governo de facto critica México e pede que Brasil defina status de Zelaya na embaixada em Tegucigalpa

estadao.com.br,

11 de dezembro de 2009 | 10h51

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse na quinta-feira, 10, que deve deixar a embaixada brasileira em Tegucigalpa até o próximo dia 27 de janeiro, quando terminaria seu mandato. O encarregado de negócios na sede diplomática, Francisco Catunda, também afirmou que o líder hondurenho deve deixar o prédio até esta data.

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Ambos deram entrevista à TV Globo no final da noite de ontem. Zelaya disse que pretende sair antes, mas ainda não tem destino definido. Na quarta-feira, o governo hondurenho rejeitou um pedido de salvo-conduto feito pelo México para o presidente deposto deixar a embaixada sem ser preso.

O governo de facto de Roberto Micheletti quer que Zelaya seja asilado em outro país, porque desta maneira estaria proibido de dar declarações políticas. O presidente quer se refugiar na condição de 'hóspede'.

Críticas ao México

Ontem, o governo de facto criticou o pedido feito pelo governo mexicano. "Nos trataram de enganar, com mentiras quiseram surpreender uma vez mais Honduras", disse o presidente Roberto Micheletti em discurso.

O ministro da Informação, René Zepeda, disse que "se esses países desejam tirar Zelaya de Honduras, o farão como manda a lei: asilando ele em seu território, mas sem nenhum título estrondoso". "E assim, nosso governo aceitará que o levem de imediato, sem problemas de nenhuma natureza", afirmou.

Zepeda se referiu ao fato de a diplomacia mexicana ter usado o termo "presidente" no pedido de salvo-conduto para que Zelaya deixasse o país.

A chancelaria do governo de facto pediu que o Brasil "defina o status jurídico em que se encontra Zelaya em sua sede diplomática em Tegucigalpa". O líder deposto voltou em segredo ao país e desde 21 de setembro está abrigado na embaixada do Brasil.

Brasil suaviza discurso

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, demonstrou ontem sua frustração pela impossibilidade de que Zelaya partisse para o México. Amorim também suavizou o discurso sobre o presidente eleito 'Pepe' Lobo.

Diplomatas brasileiros acrescentaram que a condenação ao golpe de Estado e ao regime de facto logo no início da administração de Lobo, que tomará posse em 27 de janeiro, abriria uma porta para o reconhecimento de sua legitimidade.

"Nós não temos nenhuma intenção de reconhecer essas eleições em curto prazo", afirmou o ministro, ao suavizar a posição anterior do governo.

Com Associated Press, Agência Estado e Denise Chrispim Marim, de O Estado de S. Paulo

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