Zelaya volta a Honduras antes de setembro, diz vice-chanceler

Beatriz Valle afirmou que 'se equivocam aqueles que acham que o presidente Zelaya não voltará ao país'

Efe, Reuters e AE-AP,

19 de agosto de 2009 | 18h49

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltará ao país "antes de 1º de setembro", disse nesta quarta-feira, 19, à Agência Efe a vice-ministra das Relações Exteriores de seu Governo, Beatriz Valle. Em declarações concedidas em Tegucigalpa, Valle disse à Efe que "se equivocam aqueles que acham que o presidente Zelaya não voltará ao país".

 

"O presidente não renunciou ao cargo que o povo lhe outorgou", enfatizou a vice-ministra da Administração deposta, ao acrescentar que vários membros do alto escalão do Governo de Zelaya, inclusive ela, "continuam sendo ameaçados pelo regime golpista de Roberto Micheletti", o presidente de fato em Honduras.

 

Valle disse que o "gabinete de Governo no exílio" de Manuel Zelaya continua a coordenar ações para o retorno do líder deposto, que afirmou que seu retorno é "iminente" e pediu novamente a organização de uma "insurreição pacífica" em Honduras para derrubar Micheletti. 

 

Manuel Zelaya afirmou que seu retorno a Honduras é "iminente," mas será pacífico. "Sinto-me de mãos limpas para regressar a Honduras," afirmou. Ele também negou que seus partidários possam estar relacionados com as ameaças de morte recebidas pelo presidente interino do país, Roberto Micheletti, a quem acusou de ver "fantasmas."

 

Micheletti, empossado no cargo depois do golpe militar de 28 de junho que destituiu Zelaya e o enviou para o exílio, disse na segunda-feira que precisou reforçar sua segurança depois de receber ameaças de morte, as quais sugeriu terem partido de seguidores do seu antecessor.

 

"As suposições do senhor Micheletti acho que circulam mesmo nos seus fantasmas, que o levaram a cometer esse erro contra os hondurenhos," afirmou Zelaya a jornalistas. "Os que estão com rifles, com a força das armas, são os golpistas que ele encabeça," disse o presidente deposto no palácio do governo de Lima, onde foi recebido pelo presidente peruano, Alan García.

 

Ao denunciar as ameaças, Micheletti não aludiu à sua procedência concreta nem aos meios pelo qual foram realizadas.

 

Zelaya faz atualmente uma viagem pela América Latina para estimular os líderes regionais a manterem sua pressão contra o governo interino e a não reconhecerem os resultados da eleição presidencial marcada para novembro. Ele já esteve recentemente com os presidentes de Brasil, Chile e México.

 

EUA

 

Zelaya também criticou nesta quarta-feira a atitude "frouxa" e de "mãos suaves" dos Estados Unidos frente ao governo de facto de Honduras, e disse que se Washington adotasse medidas comerciais e pessoais contra os golpistas, o Estado de direito seria restituído em Honduras em "cinco minutos".

 

"Eu reconheço que tanto o presidente Obama quanto a secretária Hillary Clinton não tiveram absolutamente nada a ver com a conspiração e o planejamento do golpe de Estado, mas digo com respeito que as medidas tomadas até o momento contra os golpistas foram frouxas e de mãos suaves", disse Zelaya em declarações à imprensa após se reunir com o presidente do Peru, Alan García.

 

Zelaya chegou a Lima na noite da terça-feira e teve uma reunião com García nesta quarta, como parte de uma viagem a vários países latino-americanos em busca de apoio para retomar a presidência de Honduras, da qual foi afastado em 28 de junho.

 

A reunião com García durou pouco mais de uma hora e o presidente do Peru expressou apoio a Zelaya.

O mandatário deposto de Honduras disse que os EUA podem "fazer muito mais" e tomar medidas "bem mais enérgicas" para solucionar o impasse político.

 

O governo dos EUA, até agora, suspendeu a entrega de milhões de dólares em assistência a Honduras, com a intenção de pressionar pela restauração de Zelaya.

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