Acadêmicos pedem que Obama se aproxime da América Latina

Líderes culpam Bush pela deteorização dos laços com região e pedem mudança num possível governo democrata

Efe,

28 de outubro de 2008 | 16h32

Líderes acadêmicos dos Estados Unidos pediram ao candidato democrata Barack Obama que busque uma maior aproximação com a América Latina e promova o desenvolvimento social e econômico da região, caso chegue à Casa Branca. Em carta aberta dirigida ao senador por Illinois, 368 acadêmicos de todo o país pediram que Obama "aproveite a oportunidade de inaugurar um novo período de entendimento e colaboração para o bem comum" com a América Latina. Veja também:Plano para morte de Obama choca cidade de jovem acusadoObama mantém vantagem sobre McCain na reta finalEnquete: Você votaria em McCain ou Obama? Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Eles responsabilizaram o governo do presidente George W. Bush pela deterioração das relações com a região, em um momento no qual "o prestígio dos EUA se encontra em baixa". "Pedimos uma mudança e não só nos EUA", diz a carta, datada de 20 de outubro e divulgada nesta terça-feira, 28.  Os acadêmicos, formados em sua maioria por membros da Associação de Estudos Latino-Americanos (Lasa, em inglês), pediram que Obama entenda o "ímpeto para uma mudança progressista" em várias nações da região, após a rejeição do "fracassado modelo do livre mercado." Segundo eles, esse modelo concentrou a riqueza e dependeu, sem sucesso, de forças irrestritas de livre mercado para resolver os profundos problemas sociais que afligem o continente. Quanto à política externa, Obama se manifestou contra o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, pela situação de direitos humanos e trabalhistas que esse país vive e disse que apóia um diálogo com Cuba se houver um processo de transição democrática. Além disso, apóia um diálogo com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Seu adversário, o republicano John McCain, apóia o TLC com a Colômbia - ele viajou para esse país e ao México em julho - e foi um crítico das políticas de Havana e Caracas. No entanto, os acadêmicos consideraram que Washington lutou contra "a esperança e a mudança" e isso ficou refletido em sua resposta aos governos escolhidos de forma democrática na Venezuela e na Bolívia. Também pediram para os Estados Unidos mantenham a atenção com a Colômbia, que consideram atualmente "cenário da segunda maior crise humanitária do mundo, com 4 milhões de deslocados internos". Os acadêmicos somaram à lista de preocupações a necessidade de que os EUA apóiem "de forma positiva" o processo de transição que Cuba atravessa nestes momentos. México e a América Central são outras áreas da região que merecem uma maior atenção, sobretudo pela vasta emigração rumo aos EUA, que não se resolve, segundo eles, com a construção de um muro. "A forma de conduzir a imigração não é construindo um muro gigante, mas através do apoio dos EUA a um desenvolvimento econômico mais eqüitativo no México, na América Central e em toda a região", detalharam.

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