Após batalha por nomeação, Hillary tenta unificar democratas

Senadora é a protagonista do 2.º dia da convenção, com a missão de persuadir eleitores a optar por Obama

Agências internacionais,

26 de agosto de 2008 | 09h20

Após a aparição triunfante do senador Edward Kennedy, que mesmo lutando contra um câncer no cérebro participou do primeiro dia da convenção democrata para endossar Barack Obama como candidato, e do discurso emocionado de Michelle Obama, que falou sobre os valores de seu marido e sua crença no "sonho americano", Hillary Clinton tentará na noite desta terça-feira, 26, reparar os danos da batalha nas prévias e persuadir seus eleitores a apoiar a candidatura de Obama.  Michelle Obama reforça valores do maridoTed Kennedy faz aparição triunfante na convençãoImagens da Convenção Democrata Obama x McCainConheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Desgastado pelos confrontos entre seus pré-candidatos durante as primárias, o Partido Democrata iniciou na segunda a convenção nacional que oficializará o nome do senador Barack Obama para concorrer à Presidência dos Estados Unidos. Virada a página, a ordem agora é mostrar união total, e os principais caciques do partido tentarão deixar isso o mais claro possível durante os quatro dias do encontro. A divisão interna dos democratas ofuscou o primeiro dia da convenção, na segunda-feira. Obama tenta apagar essa imagem negativa oferecendo espaços importantes da convenção a Hillary e ao marido dela, o ex-presidente Bill Clinton, que discursará na quarta-feira. Segundo um roteiro definido por ambas as partes, Hillary será simbolicamente indicada como candidata na quarta-feira, mas a votação nominal entre os delegados pode ser abreviada para que Obama seja aclamado candidato oficial do partido. "Haverá alguns seguidores da senadora Clinton junto aos quais teremos de nos esforçar para colocá-los a bordo. Isso não é surpreendente", disse Obama a jornalistas na segunda-feira. "Mas, se vocês olharem - acho que nesta semana -, estou absolutamente convencido de que tanto Hillary Clinton quanto Bill Clinton entendem o que está em jogo", afirmou. No primeiro dia da convenção, os discursos estiveram voltados para apresentar Obama ao público e contar sua trajetória. Filho de um negro do Quênia com uma branca do Kansas, cresceu no Havaí e Indonésia e começou a carreira política como ativista em organizações populares.AP Michelle tentou conquistar eleitores céticos com a história "muito americana" de seu marido "Barack e eu fomos criados com vários dos mesmos valores: que você trabalha duro pelo que você quer na vida; sua palavra é seu compromisso; você trata as pessoas com dignidade e respeito, mesmo que você não as conheça, e mesmo que não concorde com elas", disse. "Eu e Barack concordamos em guiar nossas vidas por esses valores e queremos passá-los para a próxima geração. Queremos que nossas crianças, e todas nesta nação, saibam que o único limite para as nossas conquistas é o alcance de seus sonhos e sua disposição para trabalhar por eles", completou o discurso.  Os democratas aproveitam a visibilidade da convenção para mostrar aos eleitores que Obama não é inexperiente para comandar o país. Uma das armas do partido foi usada na emocionante presença de Ted Kennedy. A participação do senador mostrou que continua ardendo a chama do clã mais democrata do país. "A esperança cresce novamente e o sonho continua", disse Kennedy. E acrescentou: "Estou aqui esta noite para mudar a América, para restaurar seu futuro, para semear nossos melhores ideais e eleger Barack Obama presidente dos Estados Unidos". A inesperada presença de Kennedy levou o público ao delírio. Antes do início da convenção, os organizadores informaram que ele participaria do evento, mas por intermédio de mensagem gravada em vídeo, e não pessoalmente. A polícia de Denver reprimiu protestos realizados a cerca de 1,5 quilômetro do local da convenção do Partido Democrata. Cerca de 300 manifestantes confrontaram durante a noite os policiais. Aproximadamente 20 deles ficaram detidos no local, mas não chegaram a ser levados para a cadeia. Dois manifestantes se descreveram como "anticapitalistas" e revelaram estar protestando contra a degradação ambiental. (Com Patrícia Campos Mello e Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo)

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