Após Hillary, chegou a vez de Bill Clinton apoiar Obama

Ex-presidente americano e candidato a vice-presidente discursam na terceira noite da convenção democrata

Agências internacionais,

27 de agosto de 2008 | 09h11

Nesta quarta-feira, 27, último grande dia dos Clinton na campanha presidencial de 2008, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton deve mostrar com que tipo de energia lutará pelo candidato democrata Barack Obama depois do discurso enérgico de Hillary Clinton para dissipar as dúvidas de grande parte de seus partidários, que resistem a votar em Obama. "De jeito nenhum, McCain não. Barack Obama é meu candidato. E ele precisa ser nosso presidente". "Não importa se você votou em mim ou em Barack, agora é a hora de se unir como um único partido. Nós estamos no mesmo time", disse a ex-rival.   O discurso de Clinton a ser proferido em horário nobre, à noite, oferece o ponto alto de um dia cheio de atrações da Convenção Nacional Democrata, que indicará formalmente Obama, 47 anos, como candidato do partido para enfrentar o republicano John McCain nas eleições de 4 de novembro. Depois de um encontro com veteranos de guerra realizado em Billings (Montana), o democrata chegará a Denver, onde, na quinta-feira, deve aceitar a nomeação.   Veja também: Hillary pede união do partido por Obama Propaganda de McCain usa elogios de Hillary Galeria de fotos da Convenção  Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    O ex-presidente, que mostrou em alguns momentos descontentamento com o que qualificou como ataques injustos à mulher durante as primárias, deu até agora um apoio pouco enfático a Obama. Aliados do senador por Illinois temem que partidários de Hillary realizem alguma manifestação que demonstre a divisão partidária. Alguma mostra nesse sentido poderia prejudicar a sigla, que deseja mostrar-se unida no momento em que a disputa com o republicano John McCain torna-se mais dura.   Hillary Clinton, 60 anos, que foi derrotada por Obama na longa batalha das prévias, mas que declarou seu apoio inequívoco ao candidato em um discurso proferido na terça-feira, deve liberar seus delegados na quarta-feira para apoiarem Obama. A senadora também assegurou que Obama abraçará a sua principal bandeira, que é a implementação de uma cobertura universal de saúde para todos os americanos e irá encerrar responsavelmente a guerra no Iraque, trazendo de volta os soldados que lutam no país árabe.   Na quarta-feira, em um gesto simbólico, a senadora será nomeada candidata a presidente oficialmente como uma forma de honrá-la e de aplacar a fúria dos simpatizantes dela, alguns dos quais vêm reclamando em alto e bom som sobre o fato de Obama não ter escolhido Hillary como seu vice.   Hillary utilizou boa parte do discurso para agradecer aos milhões de militantes que a acompanharam na jornada em que disputava com Obama a indicação do partido. "Vocês fizeram parte da minha vida e permitiram que eu fizesse parte da vida de vocês. Juntos fizemos história". Aos militantes mais ressentidos com sua derrota nas primárias, Hillary lançou a seguinte pergunta: "Vocês estão nesta corrida por mim ou por aqueles que não têm cobertura de saúde, ou aqueles que estão lutando no Iraque em uma guerra sem sentido?", lembrando-os de que as causas democratas devem estar acima do personalismo.   Os delegados presentes à convenção, ansiosos para reconquistar a Casa Branca depois de oito anos de governo do republicano George W. Bush, também ouvirão um discurso do homem provavelmente encarregado de liderar os ataques contra McCain, o companheiro de chapa de Obama, Joe Biden, um veterano senador pelo Estado de Delaware. E isso deve ocorrer no momento em que os democratas sublinham a mensagem de que McCain estaria distante das preocupações dos norte-americanos comuns com a economia porque ele e sua mulher, a rica Cindy McCain, possuem sete casas.   Sobre os adversários republicanos, Hillary disse ter respeito por John McCain, mas enfatizou que os americanos não querem "mais quatro anos iguais aos últimos oito anos", afirmando que uma eventual vitória dele seria exatamente a continuação do mandato de George W.Bush. "Precisamos restabelecer as boas relações internacionais. Não precisamos de um governo que defenda mais guerra e menos diplomacia", afirmou. Segundo Hillary, o candidato republicano "não considera um problema a existência de 47 milhões de americanos sem cobertura universal de saúde".   Ovacionada, Hillary encerrou o discurso reafirmando seu apoio a Obama e sua crença no sonho americano. "Minha mãe nasceu em uma época em que as mulheres não podiam votar. Já minha filha nasceu em uma época em que poderia votar na sua própria mãe para presidente. Esta é a história da América!"   Clinton por Obama   No entanto, o evento com o maior potencial dramático deve ocorrer quando Bill Clinton subir ao palco. Mais do que sua mulher, Clinton vem tendo problemas para reconciliar-se com Obama depois das prévias em que o hoje candidato, que pode vir a ser o primeiro presidente negro dos EUA, acusou o ex-dirigente de inserir questões raciais na campanha. "Ainda há muito trabalho a ser feito no front Bill Clinton", escreveu nesta semana, na revista The New Republic, Howard Wolfson, ex-estrategista sênior de campanha de Hillary Clinton.   Chamado algumas vezes pelos meios de comunicação dos EUA como "the Big Dog" (o cachorrão), Clinton coroou sua volta por cima na campanha presidencial de 1992 ao prometer, diante de eleitores de New Hampshire, que lutaria "até que o último cão morra". Alguns delegados democratas presentes na convenção acreditam que, no final, o "Big Dog" latirá com vigor para defender Obama. "Bill Clinton está magoado. O ego dele está ferido", disse Brandon Hines, 20 anos, delegado mais jovem de Michigan. "Mas acho que ele superará tudo isso por Obama". O ex-presidente sentou-se na platéia na terça-feira e aplaudiu quando sua mulher convocou seus simpatizantes a darem apoio a Obama.   Os republicanos, que montaram um posto avançado em Denver para irritar os democratas, tentam explorar qualquer sinal de discórdia levantado dentro do partido adversário. Depois de ficar atrás de Obama nas pesquisas de intenção devoto durante meses, McCain mostrou-se surpreso ao ultrapassar o democrata em uma pesquisa realizada diariamente pelo instituto Gallup - nessa enquete, o republicano ficou com 46% dos eleitores, contra 44% para o democrata.   A pequena queda na popularidade de Obama, ocorrida apesar da escolha de Biden para dividir a chapa com ele, gerou um certo grau de ansiedade entre os democratas, para os quais o candidato precisa atacar com vigor McCain, um apelo repetido por Hillary com entusiasmo. "É verdade que John McCain é meu colega e meu amigo. Ele vem servindo nosso país com honra e coragem. Mas não precisamos de mais quatro anos dos últimos oito anos", disse Hillary.

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