Após vitórias, Hillary sugere candidatura conjunta com Obama

Senadora propõe que eleitores decidam líder da chapa democrata; após indicação, McCain foca disputa final

Agências internacionais,

05 de março de 2008 | 09h36

A senadora Hillary Clinton sugeriu, nesta quarta-feira, 5, uma chapa compartilhada com o rival Barack Obama para a disputa presidencial democrata. Segundo a senadora, os eleitores poderiam decidir quem encabeçaria a chapa e quem seria o vice pelo partido. A campanha de Hillary ganhou fôlego com a vitória, na terça-feira, nas prévias de Ohio e Texas e  manteve vivas as pretensões da ex-primeira-dama de obter a indicação democrata para as eleições de novembro, embora o rival ainda lidere no número de delegados conquistados.    Veja também: Hillary vence prévias em Ohio e Texas e ganha fôlego na disputa Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA     A proposta de uma candidatura conjunta foi feita após a nomeação do senador John McCain como candidato republicano oficial à Presidência dos EUA. Agora, os republicanos irão se unir e concentrar a campanha na disputa pela sucessão do presidente George W. Bush. "Talvez o processo aponte para esse sentido, porém devemos decidir quem encabeçará a chapa", disse Hillary. "Acredito que o povo de Ohio afirmou claramente que deveria ser eu". Os dois pré-candidatos afirmaram nesta quarta que têm força para enfrentar John McCain em novembro.   As vitórias de Hillary encerraram uma seqüência de 12 triunfos de Obama e frustrou as previsões de que derrotas da senadora no Texas e em Ohio a forçariam a desistir da disputa. O acirrado duelo democrata vai agora para as prévias de Wyoming e Mississippi, na semana que vem, e depois para a próxima grande disputa, na Pensilvânia, em 22 de abril.   Prévias decisivas   Hillary descreveu suas vitórias como "um novo capitulo da história de sua campanha", enquanto Obama tentou reduzir o impacto dos resultados enfatizando que ainda lidera a disputa. "Nós estamos apenas começando", disse a senadora para uma multidão reunida em Columbus, Ohio, em seu discurso de vitória no Estado. "Milhões de americanos ainda não falaram, em Estados como a Pensilvânia, e querem que suas vozes tenham peso e eles devem ser ouvidos." O Estado realiza sua primária no dia 22 de abril e Hillary conta com o apoio do governador.   Segundo a BBC, Hillary encerrou seu discurso da terça-feira com uma convocação que mais parecia extraída de um comício de Obama, nos quais os militantes são sempre incitados a ter um papel de destaque. "Junte-se a nós nesta campanha. Esta é a sua campanha e seu momento, e preciso de seu apoio."   Falando com eleitores em San Antonio, Texas, o senador Barack Obama parabenizou Hillary por competir em "uma corrida acirrada", mas lembrou que ele ainda tem a vantagem. "Não interessa o que houver esta noite, nós temos quase a mesma liderança (em termos de delegados) que tínhamos esta manhã, e estamos a caminho de conseguir a nomeação (do partido)", disse Obama.   Essa foi a terceira vez neste ano que Hillary evitou um possível nocaute por parte de Obama. Em janeiro, ela venceu em New Hampshire, contrariando as pesquisas e depois de ficar apenas em terceiro lugar em Iowa. Há exatamente um mês, vindo de uma dura derrota na Carolina do Sul, ela conseguiu "empatar" a "superterça" - quando mais de 20 Estados fizeram suas prévias.   As pesquisas indicam que ela teve uma vitória expressiva entre eleitores que se decidiram nos últimos dias, quando Hillary questionou a capacidade de Obama para liderar o país em um momento de guerra - num dramático comercial que perguntava quem o espectador gostaria que atendesse a um telefonema na Casa Branca durante a madrugada - e colocou em dúvida a franqueza das promessas do adversário de renegociar o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte, ao qual muitos em Ohio atribuem o fechamento de vagas no setor industrial.   Hillary recebeu mais votos entre homens e mulheres, entre idosos, hispânicos, democratas da classe operária e eleitores rurais, segundo as pesquisas de boca-de-urna. Uma contagem do The New York Times dava 1.311 delegados a Obama e 1.211 a Hillary após das votações de terça-feira. Para conseguir a indicação, são necessários 2.025 delegados.   Os resultados podem se complicar ainda mais com os esforços da campanha da senadora para que as prévias sem valor realizadas na Flórida e em Michigan, Estados punidos por adiantar suas votações, sejam levadas em conta. Os 366 delegados a que os dois Estados teriam direito podem ser decisivo antes da Convenção Nacional de agosto. Se as primárias fossem validadas, Hillary adicionaria 178 delegados à sua conta, e Obama receberia 67 da Flórida (onde estava formalmente na disputa). Em Michigan, cerca de 55 delegados são considerados "não-vinculados" a candidato algum, já que o nome de Obama não constava na cédula.   Matéria ampliada às 10 horas.

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