Emily Kask/ THE NEW YORK TIMES
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Arqueólogos dos EUA encontram restos do último navio de escravos africanos

'Clotilda' foi queimado em 1860 por ordens do capitão William Foster para esconder a evidência da importação de escravos, que havia sido proibida em 1808

EFE, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2019 | 00h33

Atlanta - Os restos do que é considerado o último navio que transportava escravos da África para os Estados Unidos foram encontrados no Alabama. Trata-se do Clotilda, embarcação que transportava 110 africanos em 1860 - mais de 50 anos depois da proibição da importação de escravos. O navio foi queimado por ordem do capitão William Foster para esconder a evidência do crime. 

O Clotilda foi o último navio do qual se tem registro de ter transportado escravos da África para os EUA, país que proibiu a importação no ano de 1808.

Não há vestígios do nome Clotilda nos destroços, que foram encontrados no rio Mobile, mas a equipe de pesquisadores fez testes que confirmaram se tratar do navio que, segundo os registros históricos, navegou durante quatro meses no Atlântico até ser queimado. 

Timothy Meaher, um rico fazendeiro e construtor naval do Alabama, foi quem projetou o plano e recrutou outros empresários descontentes com o aumento do preço dos escravos nos EUA, após o veto à importação desde a África.

O anúncio sobre a descoberta do Clotilda foi recebida com alegria pelos descendentes das vítimas da viagem, uma travessia que reflete "uma das épocas mais obscuras da história moderna", disse a diretora-executiva da Comissão Histórica do Alabama, Lisa Demetropoulos Jones. "Os descendentes dos sobreviventes do Clotilda sonharam com essa descoberta por gerações."

Os africanos transferidos como escravos que sobreviveram ao incêndio e ao naufrágio criaram uma comunidade em Mobile, Alabama, chamada Africatown.

Um dos últimos sobreviventes do Clotilda foi Cudjo Lewis, entrevistado em 1927 pela antropóloga Zora Neale Hurston, a quem narrou os horrores que viveu durante a terrível travessia e que depois a investigadora incluiu no seu livro "Barracoon".

Um ano atrás, um grupo de arqueólogos pensou que tinham encontrado os restos do Clotilda, mas após vários testes os pesquisadores determinaram que não se tratava daquele navio.

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