Jared Wickerham/The New York Times
Jared Wickerham/The New York Times

Atirador abre fogo em sinagoga de Pittsburgh, mata 11, fere 6 e se entrega

Suspeito, identificado como Robert Bowers, de 46 anos, gritou que ‘todos os judeus deveriam morrer’ antes de começar a atirar com um AR-15, revelaram testemunhas; presidente americano diz que ataque não tem nada a ver com a lei de armas

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 12h22
Atualizado 27 de outubro de 2018 | 21h35

PITTSBURGH, EUA - Pelo menos 11 pessoas morreram e 6 ficaram feridas, entre elas 4 policiais, em um ataque a tiros neste sábado, 27, a uma sinagoga na cidade de Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia.

Autoridades confirmaram que o suspeito, que está sob custódia, é Robert Bowers, de 46 anos, cujas ações “representam o pior da humanidade”, nas palavras do procurador federal para o distrito oeste da Pensilvânia, Scott Brady.

O FBI (polícia federal americana) está investigando o ataque como crime de ódio. O atirador, que está sob custódia policial, será processado por crime antissemita, entre outros, e pode ser condenado à morte, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

“Ódio e violência com base na religião não têm lugar em nossa sociedade”, declarou o secretário de Justiça americano, Jeff Sessions. “Estes supostos crimes são condenáveis e totalmente repugnantes aos valores da nação”, acrescentou.

Testemunhas afirmaram que o atirador entrou na sinagoga Árvore da Vida gritando: “Todos os judeus devem morrer”. De acordo com uma fonte policial, ele estava usando um fuzil de assalto AR-15. 

O local foi cercado pela policia depois de uma denúncia de que havia um atirador dentro do prédio. A sinagoga fica em Squirrell Hill, um tradicional bairro da comunidade judaica. No momento do ataque, era realizado o serviço religioso do shabat, que começara às 9h45 (10h45 de Brasília).

Reações

“Não deve haver tolerância com o antissemitismo nos EUA”, disse o presidente Donald Trump. Horas antes, ele afirmou que o ataque não teve nada a ver com a lei sobre armas e defendeu que templos religiosos sejam protegidos por pessoas armadas - este foi o mais recente ataque a tiros nos EUA, onde as armas de fogo estão relacionadas a mais de 30 mil mortes anuais.

“Se lá houvesse um segurança armado, talvez o resultado tivesse sido diferente. Talvez só ele se machucasse e o resultado poderia ter sido muito diferente. Eu odeio ter de pensar desta forma. É muito difícil para mim, como presidente, falar sobre isso. Certamente, todos querem proteção, mas o que existia era um maníaco armado. Este é um mundo com problemas, tem sido assim por muitos anos, muitos séculos. É muito triste”, comentou. Trump também afirmou que o ataque mostra que os EUA deveriam endurecer as leis sobre pena de morte.

No mesmo sentido, o vice-presidente Mike Pence condenou o que considerou “um ataque à liberdade religiosa”. “Não há lugar na América para a violência ou para o antissemitismo. Este mal deve acabar”, disse Pence.

Jonathan Greenblatt, diretor da Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês), organização de combate ao antissemitismo, considerou este “provavelmente o ataque mais mortífero contra a comunidade judaica da história dos Estados Unidos”.

Na sexta-feira, Greenblatt havia publicado um artigo no jornal Washington Post denunciando o aumento do antissemitismo nos campi universitários. Estes episódios se multiplicaram no ano passado, refletindo um aumento do antissemitismo em todo o país, enquanto os incidentes cresceram 57%, passando de 1.256 para 1.986, segundo a ADL.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, manifestou seu pesar e sua solidariedade aos EUA, assegurando que estava consternado com o ataque. “Todo o povo de Israel chora com a família dos mortos”, disse Netanyahu em uma mensagem de vídeo. “Estamos todos juntos com a comunidade judaica de Pittsburgh. Estamos com o povo americano frente a esta horrenda brutalidade antissemita.” / AP e AFP

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