REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

Autores de impeachment contra Trump o acusam de ‘incitar insurreição’; Senado inicia julgamento

Para condená-lo, seria necessário que 17 republicanos aderissem ao bloco democrata, que tem 50 senadores. 

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 14h00

WASHINGTON – Os autores do impeachment contra o ex-presidente americano Donald Trump começam a apresentar seus argumentos nesta quarta-feira, 10, no segundo julgamento no Senado em um ano. Deputados democratas devem usar a oportunidade para apresentar uma conexão direta entre o comportamento de Trump e a invasão do Capitólio no dia 6 de janeiro, que resultou em seis mortes. 

O desafio dos autores será persuadir os senadores republicanos, do mesmo partido do ex-presidente, a votar pela condenação. Os procedimentos de abertura do processo na terça-feira, 9, deram indícios da lealdade do Partido Republicano a Trump e a alta probabilidade de que ele seja absolvido. 

Apenas seis senadores republicanos votaram em conjunto com os democratas na terça e admitiram a possibilidade de julgar Trump, apesar de ele ter deixado a presidência. Para condená-lo, seria necessário que 17 republicanos aderissem ao bloco democrata, que tem 50 senadores. 

Após o Senado decidir que o processo pe constitucional, o julgamento tem início com as sustentações orais a partir das 14h no horário de Brasília (meio-dia em Washington). Os deputados que assinam o pedido de impeachment, que agora atuam como promotores, abrem a sessão e serão seguidos pelos advogados de Trump. 

A sessão de terça-feira serviu como prévia dos argumentos que os autores devem apresentar contra Trump, que é acusado de “incitar insurreição” pelo seu papel no episódio que resultou no ataque à sede do Congresso americano. 

Em sua apresentação na terça, o deputado Jamie Raskin, democrata de Maryland, exibiu um vídeo de 13 minutos com a intenção de forçar os republicanos a levar em consideração a violência que ocorreu no Capitólio. 

O vídeo mostra trechos do discurso de Trump no dia 6 de janeiro, seguida de cenas em que seus apoiadores invadem o prédio, causando estragos até chegar ao plenário do Senado, onde o julgamento de impeachment agora é conduzido. 

“Este não pode ser o futuro da América”, disse Raskin. “Não podemos ter presidentes que incitam e mobilizam a violência de uma multidão contra nosso governo e nossas instituições porque se recusam a aceitar a vontade do povo sob a Constituição dos Estados Unidos.”

A expectativa é que o julgamento avance rapidamente, com uma votação para condenar ou absolver Trump até o fim de semana. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.