Tom Brenner/ Reuters
Tom Brenner/ Reuters

Biden vai reverter legado climático de Trump em dezenas de frentes

Novo presidente dos EUA trabalha para consolidar o papel do governo americano na proteção do ar e da água, na proteção de espécies ameaçadas de extinção e no combate às mudanças climáticas

Redação, The Washington Post

20 de janeiro de 2021 | 12h39

Poucas horas depois de fazer o juramento como novo presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 21, Joe Biden pretende assinar mais de uma dúzia de ordens executivas e direcionar cerca de 100 ações de agências a respeito das políticas ambientais de Donald Trump. Biden trabalha para consolidar o papel do governo americano na proteção do ar e da água, na proteção de espécies ameaçadas de extinção e no combate às mudanças climáticas no país e no exterior.

Biden vai ordenar uma investigação federal para revisar dezenas de políticas climáticas promulgadas durante a administração Trump e, se possível, revertê-las rapidamente. Quase metade das regulamentações que o novo governo está almejando vêm da Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental), em questões que vão desde água potável e produtos químicos perigosos até padrões de consumo de gás.

Em uma convera com repórteres na noite de terça-feira, a nova conselheira presidencial para o clima do governo americano, Gina McCarthy, disse que as medidas "começarão a desfazer algumas das ações prejudiciais que aconteceram na gestão do governo anterior, para que possamos avançar no combate à crise climática".

Além de reintegrar o país ao Acordo de Paris de 2015, do qual os Estados Unidos se retiraraam formalmente em 4 de novembro de 2020, McCarthy disse que Biden assinará "uma ordem executiva ampla que toma medidas que são imperativas para enfrentar nossa crise climática, e também criará bons empregos e promoção da justiça ambiental, ao mesmo tempo que reverterá mais de 100 das políticas prejudiciais da administração anterior."

O novo secretário de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que Biden assinará 15 ordens executivas na tarde de quarta-feira no Salão Oval entre suas primeiras ações como presidente. Embora os novos presidentes gostem de assinar ordens executivas no primeiro dia, o abismo entre a agenda de Biden e o legado de Trump é um dos mais amplos nas últimas décadas. Em nenhum ponto esse contraste é maior do que sobre as mudanças climáticas - que Trump rejeitou por completo - e no meio ambiente, onde ele e seus deputados reduziram uma série de proteções para beneficiar a indústria de combustíveis fósseis.

Biden chega ao poder com um senso de urgência sobre a mudança climática inigualável por qualquer ocupante anterior da Casa Branca, e levará para o governo pessoas que compartilham de suas opiniões. McCarthy falou muitas vezes do aquecimento do planeta como uma crise: “Neste momento de crise profunda, temos a oportunidade de construir uma economia mais resiliente e sustentável, que colocará os Estados Unidos em uma situação irreversível visando a emissões líquidas zero em toda a economia, o mais tardar em 2050.”

Embora muitas das ações de Biden na quarta-feira levem algum tempo - o país voltará a se tornar formalmente parte do acordo de Paris daqui a 30 dias - sua ação mais imediata será rescindir a licença presidencial concedida por Trump ao oleoduto Keystone XL para transportar petróleo bruto do Canadá através da fronteira com os Estados Unidos. O projeto se tornou um ponto crítico para ativistas ambientais durante o governo Obama, e Biden prometeu durante a campanha bloqueá-lo.

Seus assessores disseram que o presidente eleito também pretende bloquear quaisquer "proclamações, memorandos e autorizações" assinadas nos últimos quatro anos que "não atendam aos interesses nacionais dos EUA". Dezenas de outras medidas que Biden planeja assinar em seu primeiro dia como presidente levarão meses, se não mais, para serem concluídas.

Ele está instruindo o Departamento de Transporte para fortalecer os padrões de eficiência de combustível para carros e caminhões leves, que Trump enfraqueceu. Ele também pediu a dois outros departamentos, Interior e Comércio, que revisassem os limites e proteções que Trump reduziu para os monumentos nacionais Grand Staircase-Escalante e Bears Ears, em Utah, e o Monumento Nacional Northeast Canyons e Seamounts Marine, na costa de New Inglaterra. Biden também planeja impor uma moratória temporária a todas as atividades de arrendamento de petróleo e gás natural no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, que abriga renas, ursos polares e povos indígenas.

Em alguns casos, Biden está preparando o terreno para mudanças que repercutirão em todo o governo federal. Na quarta-feira, ele ressuscitará o grupo de trabalho interagências que Trump dissolveu em 2017 e que define o “custo social do carbono”. 

Embora a pressão ambiental de Biden em seu primeiro dia supere em muito a de qualquer presidente anterior, só o tempo mostrará o quanto de sua agenda ele pode realmente terminar - e com que sucesso ele pode reconstruir a imagem da nação em todo o mundo, especialmente quando se trata de liderar a ação pelo clima.

“Voltar a aderir ao acordo de Paris é apenas o começo, e o próximo governo parece saber disso. Para fazer um progresso realmente significativo em direção à cooperação global sobre o clima, a administração Biden deve dar seguimento com ações concretas ”, disse Brandon Wu, diretor de políticas e campanhas da ActionAid, por e-mail. “Simplesmente não há motivo para outros países confiarem em nossa palavra se falharmos novamente em agir sobre nossas próprias emissões e usar os recursos significativos à nossa disposição para apoiar os países mais vulneráveis do mundo.”

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