Brasileiros nos EUA ainda não sentem o efeito da crise

Tensão dos imigrantes começa no início de 2009, quando McCain ou Obama assumir a presidência americana

Alan Rafael Villaverde, estadao.com.br

31 de outubro de 2008 | 09h59

A crise financeira mundial não assusta a comunidade brasileira nos Estados Unidos, pelo menos até janeiro de 2009, quando o novo presidente, seja o republicano John McCain ou o democrata Barack Obama, tomar posse, de acordo com o empresário brasileiro João de Matos, que possui vários empreendimentos em território americano.  Veja também:Obama amplia vantagem e tem 11 pontos sobre McCainUma piscada que pode custar caro para ObamaEnquete: Você votaria em McCain ou Obama? Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA  Radicado nos Estados Unidos desde 1965, quando aventurou-se em terras estrangeiras para realizar o sonho de ter um carro, Matos não acredita que a crise venha a assustar ou atrapalhar a vida dos compatriotas que moram em território americano. Somente após a posse do novo presidente americano, e a apresentação de sua política econômica, uma análise mais certeira poderá ser feita. "Essa história de crise não será sentida pelos brasileiros, pelo menos até janeiro, quando a presidência [americana] mudar. Aí veremos quais serão as medidas econômicas a serem implementadas. Por enquanto não temos como saber como essa crise afetará os brasileiros que vivem por aqui." Matos, que é o responsável pelo evento "Brazilian Day", em Nova York, enxerga benefícios para os brasileiros com a crise, que voltou a valorizar o dólar em relação ao real, fazendo com que imigrantes brasileiros corressem para casas de câmbio com o intuito de enviar ainda mais dinheiro para seus familiares no Brasil. "O que está acontecendo, até o momento, é o aumento dos brasileiros nas casas de câmbio. De resto, tudo está normal, e os únicos que estão voltando para casa são aqueles que trabalham com jardinagem [por causa do outono e inverno nos Estados Unidos]", disse o empresário, que também possui uma agência de turismo. Tranqüilidade Enquanto o americano está assustado, sem saber o que esperar, o brasileiro que mora nos Estados Unidos está tranqüilo. Não por não se preocupar com a crise e com a possibilidade de perder seu emprego, mas por estar acostumado a lidar com situações de incerteza. "O brasileiro viveu muito assim [incerteza com a economia], sem saber se continuaria com o trabalho no dia de amanhã ou não. Isso sem contar a inflação, que disparava de um dia para o outro. Já o americano não está acostumado com isso, e é isso que os assusta. Nós [brasileiros] estamos vacinados", brincou Matos. Além de estarem "vacinados", boa parte dos brasileiros que moram nos Estados Unidos - estima-se mais de 400 mil somente - não utilizam instituições financeiras para administrar seus ganhos, já que estão no país de forma irregular. Em contrapartida, muitos brasileiros perderão seus empregos, muitos na área de construção civil, caso a crise venha a criar uma forte recessão no começo de 2009 e desacelere, ainda mais, o mercado imobiliário, que vive seus momentos de tensão com impasse criado pela "bolha imobiliária".

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