Brasileiros relatam momentos de tensão em Las Vegas: 'Foi um horror'

Ataque contra grupo em festival de música country deixa mais de 59 mortos e 527 pessoas feridas

Renan Fernandes e Ana Niederauer, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 12h58

Brasileiros que estavam em Las Vegas no momento do ataque a tiros que deixou pelo menos 58 mortos e mais de 515 pessoas feridas no domingo à noite (madrugada de segunda-feira, em Brasília) relatam momentos de tensão ao Estado. O massacre cometido por um homem identificado como Stephen Paddock, de 64 anos, já é considerado o mais violento da história dos Estados Unidos.

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Dona de uma agência de viagens, Aline Cabalchini estava com outras duas amigas andando pela avenida Las Vegas Strip quando foi informada dos tiros. "Nós chegamos aqui ontem e como Las Vegas é uma cidade noturna, assim como as outras da região, decidimos dar uma caminhada, por volta das 23h local (3h da manhã aqui no Brasil). Quando entramos em uma loja, um atendente brasileiro avisou que um cara estava atirando pela cidade e recomendou que voltássemos para o hotel."

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Depois disso, a brasileira conta que se deparou com uma multidão correndo nas ruas e teve que se esconder em um bar. "Lá eles nos enviaram para o segundo andar e pediram para todo mundo ficar abaixado. O pessoal explicou que era para fazer silêncio para, caso o atirador passasse, ele pensar que estava tudo fechado."

O grupo de amigas agora não sabe se poderá visitar o Grand Canyon, outra grande atração da região. "O espaço aéreo estava fechado e já nos avisaram que todos os voos precisam ser confirmados."

O autor do massacre, identificado como Stephen Paddock, de 64 anos, atirou a partir do 32º andar do hotel Mandalay Bay, que fica na avenida central Las Vegas Strip, onde acontecia a terceira e última noite de um festival de música country, com público estimado em 22 mil pessoas. 

 

O jornalista brasileiro Diego Ribas, que desde julho de 2014 mora em Las Vegas, explicou que as informações desencontradas nas primeiras horas da tragédia deixavam a situação ainda pior. "Por cerca de duas horas teve muita informação desencontrada. Apenas com o primeiro comunicado oficial que pudemos ter uma real dimensão do que estava acontecendo", diz. 

"No primeiro momento, surgiram muitas informações falsas. Uma hora falavam que teria outro atirador pelas ruas, na outra falavam que teve outros atentados pela cidade", conta. Para tentar acabar com os rumores, principalmente nas redes sociais, Ribas explica que as autoridades tentaram reforçar que era apenas um atirador e que ele estava morto.

Acostumado com cobertura de grandes eventos esportivos, o jornalista disse que a cidade não estava cheia como aconteceu na luta entre Floyd Mayweather Jr. e Conor McGregor, disputada dia 26 agosto, mas que o local do atentado sempre é cheio. 

Polícia perdida. Fabiano Rodrigues, engenheiro de TI, está em Las Vegas a trabalho, e presenciou a correria nas ruas após os tiros no local. Ele está hospedado no Excalibur Hotel and Cassino, a 500 metros do Mandalay. Ele contou que saiu para jantar à noite e estava andando na rua quando começou a ouvir rajadas de tiros. Perguntou para um policial o que estava acontecendo e após alguns segundos começou a correria de pessoas nas ruas. Percebeu que a polícia estava perdida com a situação. Ele conta que a cidade entrou em desespero.

"Foi um horror, pessoas em pânico, chorando muito. No Brasil estamos acostumados com um outro tipo de violência, como assalto. Aqui em Las Vegas andamos tranquilos e nunca pensaria que pudesse acontecer uma tragédia dessa. Até agora (8h15 - horário local) não saí do quarto, não tomei café. Há outros brasileiros que estão aqui em Las Vegas para o mesmo evento que irei participar; estamos nos comunicando via WhatsApp e ninguém saiu do hotel. Está tudo fechado na cidade".

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