Campanha de McCain acusa Obama de usar 'carta racial'

Democrata diz que não se parece com presidentes nas notas de dólar; para republicanos, frase é vergonhosa

Agência Estado e Associated Press,

31 de julho de 2008 | 14h56

Um dia após o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, alertar os eleitores que seu rival republicano John McCain tentará lhes dizer que "ele não parece com todos os outros presidentes que estão nas notas do dólar," a campanha de McCain acusou Obama nesta quinta-feira, 31, de fazer política racial de uma maneira negativa.   Veja também: Anúncio de McCain só fala de mim, diz Obama Assista ao comercial de McCain  Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Obama "jogou a carta racial, e ele puxou esta carta do fundo do baralho," disse o gerente de campanha de McCain, Rick Davis, em comunicado. Ele definiu as declarações de Obama como "negativas, vergonhosas e erradas". Em um discurso no Missouri, Obama, o primeiro candidato presidencial negro com chances de conquistar a Casa Branca, argumentou na quarta-feira que o presidente George W. Bush e John McCain recorrerão a táticas de amedrontamento da população para manter o controle sobre a Casa Branca, porque eles têm pouco a oferecer aos eleitores.   "Que ninguém pense que Bush e McCain têm uma resposta verdadeira para os desafios que enfrentamos. O que eles tentam fazer é deixar vocês com medo de mim," disse Obama. "Vocês sabem 'ele não é patriota o suficiente, ele tem um nome engraçado,' vocês sabem, 'ele não parece com todos os outros presidentes que estão nas notas do dólar'," falou o candidato democrata.   O próprio Obama não deixou claro quais distinções ele pensa que McCain deverá levantar, a respeito dos presidentes cujas faces estampam as notas do dólar americano - homens brancos, cuja maioria era bem mais velha que Obama quando foram eleitos. McCain não fez referências à questão da raça de Obama durante a campanha; ele tem dito que Obama não tem experiência.   O porta-voz de Obama, Robert Gibbs, disse nesta quinta-feira que Obama não estava se referindo à raça quando mencionou as notas do dólar. "Não existe nada mais nisto do que o fato que ele (Obama) estava dizendo aos eleitores que ele é novo na cena política. Ele se referia ao fato de que ele não entrou na corrida presidencial com a história de outros. Não é sobre raça," disse Gibbs.   Obama freqüentemente faz referências à sua distinção como candidato, como quando diz que alguns eleitores estão em dúvida porque ele tem "um nome engraçado." às vezes, ele faz referências sobre sua raça, ao dizer que parece ser diferente de qualquer candidato do passado, mas então acrescenta que as diferenças não são só raciais.   Durante os discursos de quarta no Missouri, Obama tentou várias vezes ligar McCain ao impopular Bush. Ele disse que McCain, se eleito, fará um terceiro mandato de George W. Bush. Ele disse que os EUA não podem se permitir mais do mesmo e esperar resultados diferentes. "É uma definição da loucura, mas é isso que John McCain oferece. Ele oferece as políticas econômicas de Bush e a política de Karl Roove," disse Obama. Roove foi o estrategista dos conservadores republicanos para a invasão do Iraque e a imposição da política externa americana na era Bush.   Obama bateu na mesma tecla mais tarde, em um churrasco em Union, Missouri. "Eles vão dizer que eu sou um cara arriscado," disse Obama. "Eles vão dizer que comigo o risco é alto. O risco verdadeiro é que a gente perca o momento e não faça o que é necessário, porque estaremos com medo," disse Obama.   Da sua parte, a campanha de McCain começou a exibir uma propagada na televisão que compara Obama à cantora Britney Spears e à socialite Paris Hilton, sugerindo que o democrata não tem consistência e que apenas aproveita a mídia para se promover. "Ele é a maior celebridade do mundo, mas ele está pronto para liderar?" diz a voz do locutor durante a propaganda, que mistura imagens do discurso que Obama fez para 200 mil pessoas em Berlim e de sua viagem à Europa, a vídeos de Britney Spears e Paris Hilton. A campanha de Obama respondeu e disse que o comercial é "sem fundamento."

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