Campanha de Obama ganha força com vitória folgada

Senador vence na Carolina do Norte e Hillary tem vitória apertada em Indiana, com diferença de 2 pontos

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 07h19

A senadora Hillary Clinton venceu a primária do Estado de Indiana por uma margem estreita e seu rival, o senador  Barack Obama, conquistou o outro Estado que foi às urnas nesta terça-feira, 6, a Carolina do Norte, por uma ampla diferença de votos. Com o bom desempenho, Obama, embora tenha perdido uma das disputas, mantém o favoritismo na corrida pela candidatura do Partido Democrata à presidência dos EUA.  Veja também:Obama vence na Carolina do Norte; Hillary Clinton leva IndianaOs colhões de Hillary Clinton, a lutadora Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Caravana de Clinton busca votos nos ''grotões'' do país   Analistas previam que os dois pré-candidatos dividiriam os dois Estados, mas as margens dos resultados foram surpreendentes. Em Indiana, a mídia americana hesitou em declarar Hillary vitoriosa até que mais de 90% dos votos tivessem sido apurados. O resultado final deu a ela uma vitória sobre o rival por apenas 2 pontos percentuais - um total de 51% contra 49%. As pesquisas mais recentes indicavam que Hillary venceria Obama em Indiana com uma vantagem de 5% ou até mais. Na Carolina do Norte, Obama obteve uma vitória muito expressiva, tendo superado a senadora por 14%. Ele faturou 56% dos votos, contra 42% de Hillary. Os números contrariam as últimas sondagens antes da votação, que mostravam que a senadora vinha reduzindo a vantagem de Obama na Carolina do Norte e que poderia perder por pouco ou até mesmo virar o jogo no Estado. Ao realizar seu discurso de vitória na cidade de Ralleigh, na Carolina do Norte, Obama chegou a saudar Hillary por sua "aparente vitória" em Indiana. Mas à medida que a apuração foi avançando, a diferença entre os dois pré-candidatos foi caindo. Em seu discurso na terça à noite em Indianápolis, Hillary evitou o tom triunfalista. A senadora afirmou que "não importa o que acontecer", o importante é que um democrata seja eleito, porque caso os republicanos triunfem na eleição geral de novembro não serão vistas mudanças nos Estados Unidos. "Queremos que vocês saibam que o Partido Democrata é o seu partido e um presidente democrata seria o melhor para vocês", disse a senadora, tendo ao fundo o seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e a filha do casal, Chelsea. Tanto Bill Clinton como Chelsea demonstravam um ar comedido, pouco condizente com o de uma celebração. O ex-presidente sorriu em poucas ocasiões. Ao longo da campanha, Hillary, Bill e Chelsea Clinton visitaram 100 locais em Indiana. Obama e sua mulher, Michelle, fizeram 30 paradas ligadas à corrida eleitoral no Estado. Comentaristas afirmam que o resultado aquém do esperado para Hillary está ligado à sua defesa de uma moratória a um imposto federal sobre gasolina, que, segundo ela, mitigaria os efeitos da crescente alta do petróleo. Obama criticou a proposta por julgá-la eleitoreira e pouco capaz de trazer benefícios expressivos para os consumidores. A campanha de Hillary chegou a criar comerciais de TV e de rádio no qual acusava Obama de estar fora de sintonia com o eleitor médio por não endossar a proposta. Em seu discurso de vitória, Obama fez críticas às campanhas negativas feitas por correligionários de sua rival, que, segundo ele, acabam espelhando práticas do Partido Republicano. "A questão não é que tipo de campanha eles (os republicanos) farão, é que tipo de campanha nós faremos. O que faremos para fazer este ano ser diferente. Eu não entrei nesta corrida porque julguei poder evitar esse tipo de política, mas estou concorrendo a presidente porque acredito ser hora de terminá-la", disse o senador. Mesmo com a derrota sofrida em Indiana, Obama continua à frente de Hillary no número total de delegados. Mas podem voltar a ganhar força as dúvidas levantadas pela campanha da ex-primeira-dama quanto à "elegibilidade" do senador, que tem dificuldade de atrair o principal eleitorado democrata - os brancos da classe trabalhadora. Hillary pretende usar a vitória nesse Estado para pressionar os superdelegados indecisos, pedindo que esperem até a convenção para revelar seu voto ou a apóiem já. Faltam sete primárias. A próxima será no dia 13 na Virgínia Ocidental, onde Hillary é favorita.  (Com BBC Brasil e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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