Campanhas de Hillary e Obama tentam conquistar 'terreno rival'

Ex-primeira dama investe em eleitorado negro enquanto Obama tenta atrair voto de mulheres

Bruno Garcez, Enviado especial da BBC Brasil,

04 de fevereiro de 2008 | 08h29

Na reta final rumo à "Superterça", na Califórnia, as campanhas dos pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos estão centrando esforços em arrancar votos de potenciais eleitores do campo rival. A campanha da senadora Hillary Clinton investiu em eleitores negros, que têm votado em peso no senador Barack Obama. Ao passo que a campanha de Obama procurou atrair o voto de mulheres e latinos, que tradicionalmente têm privilegiado a senadora.   Veja também:  Obama se aproxima de Hillary e aposta em voto jovem  Mulher de Schwarzenegger apoia Obama  Candidatos nos EUA investem pesado na TV  Especial eleições americanas    No domingo, o ex-presidente Bill Clinton participou de uma série de eventos realizadas em igrejas freqüentadas predominantemente por afro-americanos, em Los Angeles. Ao mesmo tempo, sua mulher fazia campanha nos Estados de Minnesota e Missouri.   Recentemente, Bill Clinton sofreu pesadas críticas quando minimizou a vitória de Obama na primária do Estado da Carolina do Sul. Em uma tentativa de enfatizar o peso do voto afro-americano na vitória do senador, Clinton comparou a conquista de Obama à do reverendo Jesse Jackson, que venceu no Estado, mas que não obteve a indicação democrata à presidência americana. Bill Clinton não fez quaisquer menções a Obama durante os eventos realizados no domingo.   "Brilhante"   Durante a tarde, a campanha de Barack Obama promoveu um comício na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que contou com a presença da célebre apresentadora de TV Oprah Winfrey, que há alguns meses anunciou seu apoio a Obama. Apesar de contar com a presença de um astro como o cantor Stevie Wonder, o evento foi protagonizado por mulheres. As pesquisas indicam que Hillary Clinton conta com um forte apoio no eleitorado feminino.   Oprah subiu ao palco da UCLA, juntamente com a mulher do senador, Michelle Obama, que anunciou ainda a presença da primeira-dama do Estado da Califórnia, Maria Shriver, mulher do governador republicano Arnold Schwarzenegger, e de Caroline Kennedy, filha do presidente John Kennedy, que recentemente anunciou seu apoio a Obama.   Procurando destacar o apelo multiétnico da campanha de Obama, a afro-americana Oprah afirmou que não irá votar no senador porque ele é negro, "mas sim porque ele é brilhante".   A campanha de Obama também tem veiculado uma série de anúncios televisivos em espanhol voltados para os eleitores hispânicos de Estados com forte presença latina, como a Califórnia. Hillary conta com o apoio de destacados líderes latinos, entre eles o prefeito de Los Angles, Antonio Villaraigosa.   No domingo, Bill Clinton assistiu ao Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, ao lado de Bill Richardson, o governador do Estado do Novo México, que recentemente abandonou a disputa presidencial americana e é de origem hispânica. Richardson ainda não disse se irá apoiar algum dos candidatos na disputa presidencial. O governador foi embaixador dos Estados Unidos na ONU e secretário de Energia durante a gestão de Clinton.   Califórnia   A Califórnia é o Estado com o maior número de delegados em jogo na disputa da chamada "Superterça", quando mais de 20 Estados farão primárias simultâneas. Entre os democratas, um candidato precisa de 2.025 delegados para obter a indicação presidencial. E só na Califórnia estão em disputa um total de 441.   Mas o vencedor da votação no Estado, seja a senadora Hillary Clinton ou o senador Barack Obama, não deverá conquistar todos os delegados. Cada distrito eleitoral conta com entre 3 a 7 delegados. Nos distritos em que há quatro delegados, eles serão divididos igualmente, a não ser que um candidato obtenha uma vitória de aproximadamente 75% do voto.   A pesquisa mais recente na Califórnia, realizada pelo instituto Gallup e o jornal USA Today, ente os dias 23 e 26 de janeiro, indicava uma vantagem de Hillary sobre Obama, mas o senador estaria diminuindo a diferença entre ele e a rival nacionalmente, nos últimos dias.   Do lado republicano, estão em jogo um total de 173 delegados na Califórnia. A maior parte desses delegados vêm de distritos em que a disputa segue o formato "o vencedor leva tudo", o que diferencia a primária republicana da democrata no Estado, na qual o vencedor não necessariamente "leva tudo".   Uma lei recém-aprovada na Califórnia poderá prejudicar o Partido Republicano no Estado. Pela legislação, os republicanos que participarem da primária terão de ser eleitores republicanos registrados.   Os votantes que se definirem como "independentes" poderão participar da votação democrata, mas, como não contam com registro entre os republicanos, não poderão participar do pleito do partido rival.

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