Capa de revista caricaturiza Obama como radical islâmico

Edição da 'The New Yorker' traz senador com turbante e Michelle com rifle AK-47 no Salão Oval da Casa Branca

Associated Press e Efe,

14 de julho de 2008 | 11h37

A última edição da revista americana The New Yorker, que chega às bancas no próximo dia 21, causou controvérsias antes mesmo da distribuição. A capa traz uma caricatura do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, usando um turbante e cumprimentando a mulher, Michelle, que veste roupas militares e carrega um rifle AK-47, no salão Oval da Casa Branca.   Veja também: Obama é 5 vezes mais popular que McCain no Reino Unido Obama vai visitar Israel e territórios palestinos Obama promete aproximação com AL Obama tem vantagem de 3% sobre McCain Esposas de candidatos mostram seus estilos  Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A revista explicou que o artista Barry Blitt, autor do desenho, quis "satirizar o uso de desinformações e do medo na campanha eleitoral para prejudicar a campanha de Obama". Os simpatizantes do senador não viram graça na ilustração, que mostra o candidato vestido como muçulmano e mostra um quadro de Osama bin Laden na Casa Branca, além de uma bandeira americana queimada na lareira.   A campanha do democrata afirmou que a satírica capa da revista é de mau gosto e ofensiva. "A New Yorker pode pensar, como um de seus funcionários explicou para nós, que a capa deles é uma sátira da caricatura que os críticos de direita do senador Obama tentam criar", disse Bill Burton, porta-voz da campanha do democrata. "Mas a maioria dos leitores verão isso como de mau gosto e ofensivo. E nós concordamos."   A campanha do rival republicano, John McCain, se solidarizou com o senador de Illinois, e afirmou em um e-mail que está de acordo com o porta-voz democrata: a capa "é de mau gosto e ofensiva".   Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, a revista alegou que a capa "combina várias imagens fantásticas sobre os Obama e mostra as óbvias distorções que elas são". A bandeira queimando seria referência às críticas pela falta de patriotismo de Obama, o turbante sobre as falsas afirmações dele ser muçulmano. "A sátira é parte do que nós fazemos, e ela deve trazer coisas para o público, colocar um espelho que reflita o preconceito, o ódio e o absurdo. E esse é o espírito dessa capa", alegou o texto distribuído pela New Yorker. A nota também lembrou os dois textos assinados por Obama na mesma edição, qualificando-os como "muito sérios".   A capa da New Yorker repercute uma polêmica surgida em fevereiro quando foi divulgada uma fotografia na qual Obama está vestido de trajes típicos da Somália. A foto, tirada em 2006 durante uma viagem de Obama ao Quênia, o país natal de seu pai, mostra o senador vestido com um turbante e uma túnica branca. Também houve rumores de que Obama seria muçulmano, algo que o próprio senador desmentiu várias vezes   A imagem também causou controvérsia na internet. O Huffington Post, um blog de esquerda, afirmou: "Qualquer um que tentou descrever Obama como um muçulmano, qualquer um que tentou retratar Michelle como uma raivosa ou secreta revolucionária com a intenção de pegar os 'branquelos', qualquer um que questionou o patriotismo deles - bem, aqui está sua imagem."   Matéria atualizada às 13h20.

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