Celebridade, Obama pode ser o primeiro negro na Casa Branca

Como um astro pop, o candidato democrata reúne multidões por onde quer que passe

Da redação, com agências internacionais, estadao.com.br

22 de agosto de 2008 | 17h09

O candidato democrata à Casa Branca nasceu no Havaí e cresceu entre os Estados Unidos e a Indonésia. Em janeiro do ano passado, o senador Barack Hussein Obama, filho de um negro queniano e de uma americana branca, decidiu concorrer à Presidência. Durante quase um ano e meio, Obama, de 47 anos, enfrentou uma acirrada disputa pela indicação do Partido Democrata, que se culminou nas eleições primárias, quando desafiou o favoritismo da rival Hillary Clinton. Em 3 de junho, após uma sessão de prévias que foi até o último pleito, o senador venceu a batalha, assegurou a nomeação da legenda e tornou-se o primeiro negro a disputar a Presidência dos EUA.  A primeira aparição nacional de Obama, uma figura popular do Partido Democrata, foi em um discurso que agitou a convenção nacional da legenda em 2004. O senador enfatizou sua história pessoal em um pronunciamento que refletia os tradicionais ideais do sonho e esperança americana. "Por seu trabalho duro e perseverança, meu pai conseguiu uma bolsa de estudos em um lugar mágico - a América, que apareceu como um farol da liberdade e oportunidade para muitos outros que vieram antes", disse. Meses depois, Obama teve uma vitória esmagadora e elegeu-se senador pelo Estado de Illinois. Desde então, o candidato democrata ganhou projeção na mídia americana e se tornou uma dos políticos mais conhecidos de Washington. Trajetória Após o nascimento de Obama, seu pai, de mesmo nome, voltou ao Quênia. O democrata ficou com sua mãe no Havaí e passou alguns anos na Indonésia. Mais tarde, Obama se mudou para Nova York, onde se formou pela Universidade de Columbia em 1983. Ele se graduou em direito e foi morar em Chicago em 1985, onde se tornou líder comunitário.    Obama lecionando em Chicago. Foto: APO sucesso de suas ações na comunidade levou o senador para a política. Em Chicago, ele trabalhou como professor de direito e defensor dos direitos civis. Durante sua passagem pela Universidade de Harvard, entre 1988 e 1991, Obama se tornou o primeiro negro a presidir o jornal interno da instituição.  Em outubro de 1992 casou-se com Michelle Obama, com quem teve duas filhas - Malia Ann, que nasceu em 1998, e Natasha, em 2001. Em 2004, já eleito senador, atuou como um forte defensor dos ideais liberais, mas também trabalhou com seus colegas republicanos em outro projetos, como em um conscientização e prevenção da Aids. Campanha O lema da campanha presidencial de Obama é a mudança. Aproveitando-se da baixa popularidade do atual presidente George W. Bush, membro do Partido Republicano, o democrata propõe, entre outras questões, mudanças na política externa, no setor energético e na economia dos EUA.  Nas eleições de 2004, o eleitorado, ainda assombrado com o terrorismo, priorizava o debate sobre a segurança nacional, o que rendeu a reeleição de Bush e a continuidade de sua guerra contra o terrorismo. Neste pleito, a economia aparece no topo da lista das preocupações dos americanos, e Obama, de acordo com pesquisas recentes, se sai melhor nesse quesito do que o rival republicano John McCain. Fé Apesar de seu pai e padrasto serem muçulmanos, o senador se diz cristão, e estudou em escolas católicas ou seculares. Durante as eleições primárias, Obama se afastou da Igreja Unida Trindade de Cristo, após o pastor, Jeremiah Wright, ganhar destaque na mídia americana com seus discursos controversos. Wrigh, que realizou o casamento do candidato democrata e batizou suas duas filhas, chegou a dizer que os EUA inventaram o HIV para exterminar as minorias. Em março, Obama, membro da igreja por quase duas décadas, anunciou seu desligamento e condenou os sermões do reverendo.  Questão racial     Obama, Michelle e suas duas filhas. Foto: APAo longo da corrida presidencial, a questão racial permeou a campanha de Obama, Em um discurso em março na Filadélfia, o senador falou abertamente sobre o assunto, ao rejeitar as palavras de Jeremiah Wright, que pouco antes havia feito um sermão da temática racial.  "No primeiro ano desta campanha, contrariando todas as previsões, nós vimos o quanto o povo americano está faminto por uma mensagem de unidade. Apesar da tentação de enxergar minha candidatura exclusivamente pela ótica racial, conquistamos vitórias incontestáveis em Estados onde a população é predominantemente branca", disse Obama no discurso. "Isso não implica dizer que a raça não tenha um papel nessa campanha. Em vários momentos, a imprensa me definiu como negro demais ou negro de menos. Vimos essa questão ganhar forte repercussão na semana da primária da Carolina do Sul. A mídia vem procurando em todas as pesquisas de boca-de-urna os indícios da divisão racial", completou. Popstar Em julho, o senador democrata foi recebido como um astro pop em Berlim. Em meio ao público estimado em 200 mil pessoas, houve quem subisse em postes para ouvir o discurso de Obama junto à Colina da Vitória, no centro da capital alemã. A viagem foi parte de um giro pela Europa e Oriente Médio, acompanhada com destaque pela imprensa internacional. Nos EUA, seu carisma resultou na "Obamamania". Os discursos do candidato no país são sempre acompanhados por empolgados eleitores. Muitos deles são jovens, que se identificam com a mensagem de mudança da campanha democrata. Além da atuação na política, Obama é um escritor de sucesso. Seus livros - A Audácia da Esperança (2007), A Origem dos Meus Sonhos (2008) e Dreams From My Father (2004), não lançado no Brasil - se tornaram best-sellers nos Estados Unidos.  Quando tem um tempo livre, o candidato democrata disse à revista especializada em música Rolling Stone que recorre a seu aparelho de MP3 para ouvir Stevie Wonder, Bob Dylan, Yo-Yo Ma e Sheryl Crow. "Tenho gostos muito ecléticos", ressalta Obama, que cresceu na década de 70 escutando Stevie Wonder, Rolling Stones e Elton John. Alguns de seus artistas favoritos expressaram publicamente apoio à sua candidatura presidencial, entre eles Bruce Springsteen e Bob Dylan. 

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