Greg Baker / AFP
Greg Baker / AFP

China diz que é difícil negociar com os EUA 'com uma pistola na têmpora'

Pequim e Washington impuseram mutuamente tarifas sobre as exportações, aumentando o conflito comercial

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 03h39

Pequim - O vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen, comentou nesta terça-feira, 25, sobre as dificuldades na busca por uma solução para a guerra comercial com os Estados Unidos. Shouwen afirmou que é difícil realizar negociações "com os EUA colocando uma pistola em nossa têmpora".

O governo americano "abandonou sua compreensão mútua em relação à China", ressaltou o Shouwen, em entrevista coletiva. O comunicado foi dado um dia depois de entrar em vigor o novo conjunto de tarifas comerciais sobre as exportações que os dois países se impuseram mutuamente, aumentando o conflito comercial.

A China interrompeu negociações comerciais com os americanos na última semana, depois que o governo Trump anunciou novas tarifas sobre mais US$ 200 bilhões em produtos chineses. Em retaliação, a China também anunciou novas taxas entre 5% e 10% para as exportações americanas no valor de US$ 60 bilhões de dólares. A Guerra comercial entre as duas potências começou em julho

O vice-ministro chinês afirmou que as tarifas que entraram em vigor na segunda-feira foram uma represália que Pequim não teve escolha de não fazer e previu que irá afetar alguns exportadores, em setores como o do gás natural liquefeito. 

O governo chinês também publicou um relatório sobre as tensões comerciais com Estados Unidos, no qual declarou que a China está tentando responder com "o mais alto nível de paciência e boa fé" às pressões de Washington, acusada pelos chineses de fazer uma "intimidação comercial".

Negociações para o fim da guerra comercial

Apesar da imprensa americana noticiar no último final de semana que a China havia cancelado uma nova rodada de negociações com os EUA, o relatório disse que a porta para o diálogo permanece aberta. Uma eventual retomada das discussões comerciais dependerá da franqueza de Washington e o governo chinês não irá se curvar a ameaças, afirmou Shouwen, acrescentando que o diálogo comercial só poderá ocorrer "com igualdade e respeito mútuo".

Para Wang, as rodadas comerciais anteriores não foram em vão, mas a falta de franqueza por parte dos EUA paralisou o processo.

Já Lian Weiliang, vice-presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, disse nesta terça-feira que seu País tem capacidade de lidar com os efeitos da disputa comercial com os EUA, seja por meio da ampliação da demanda doméstica ou aperfeiçoamento da competitividade das empresas. Segundo Lian, a economia chinesa é resistente a choques e a demanda doméstica é robusta.

Lian disse ainda que a China irá reduzir ainda mais a carga tributária e melhorar o ambiente de negócios tanto para companhias chinesas quanto estrangeiras.

Além disso, Pequim irá fortalecer a cooperação com a União Europeia, Japão, Rússia, África e países do Sudeste Asiático para diversificar seus mercados de exportação, completou Lian. /EFE e Dow Jones Newswires.

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