China pede que Obama não apóie a independência de Taiwan

Pequim quer que novo governo americano pare de vender armas para a ilha e não interfira na questão

Efe,

06 de novembro de 2008 | 11h44

O governo chinês advertiu ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que Taiwan é "o assunto mais delicado" a ser tratado entre os dois países. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Qin Gang, felicitou o novo líder americano, mas lembrou que a soberania da ilha é "o fundamento político" das relações entre China e Estados Unidos.   Veja também: Israel alerta Obama para 'perigos' do diálogo com Irã Chávez muda tom com EUA para evitar isolamento Família Obama se adapta à nova vida Especial: Festa por mudança  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 1)  Veja discurso de Obama no Youtube (Parte 2)  Veja o perfil do novo presidente Trajetória de Obama  Guterman: Obama é o resgate do 'espírito americano'  Blog: Brasileiros nos EUA Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Veja a apuração das eleições Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   "O assunto de Taiwan é o mais sensível para o desenvolvimento das relações bilaterais. Confiamos em que os Estados Unidos farão essa gestão convenientemente e aceitarão o princípio de uma só China", disse o porta-voz. "O governo chinês sempre se opôs à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan. Esta política não mudará e pedimos que os Estados Unidos se oponham à independência de Taiwan e parem de vender armamento", disse Qin. "A China concede muita importância às relações com os Estados Unidos e com a nova equipe de Barack Obama. Achamos que devem ser abrangidos de uma perspectiva estratégica a longo prazo. Está nos interesses dos dois países, o mais desenvolvido e o que mais rapidamente se desenvolve, ter uma boa relação", disse Qin Gang.   O porta-voz também respondeu às polêmicas palavras de Obama durante a campanha eleitoral americana, nas quais o novo presidente americano atribuiu o déficit comercial dos EUA à manipulação da divisa chinesa. "Não se pode culpar a China (pelo superávit comercial), em absoluto o iuane, porque é o resultado da globalização. Os Estados Unidos importam produtos da China que eles não produzem, que são populares entre seus consumidores e que, além disso, ajudam a manter a inflação baixa", argumentou.   No entanto, a China se mostrou receptiva a ouvir os interesses americanos e afirmou que o valor da divisa chinesa "não é inamovível", mas reivindicou que os EUA também estejam abertos às demandas chinesas, como a possibilidade de exportar produtos de alta tecnologia. Sobre uma possível reunião entre Obama e o presidente da China, Hu Jintao, quando este último for a Washington, em 15 de novembro, por ocasião da cúpula econômica do G20, Qin Gang disse que essa possibilidade "está sendo discutida". Além disso, o porta-voz afirmou que a decisão russa de instalar mísseis na região báltica de Kaliningrado para fazer frente ao posicionamento do escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu "não é bom para a estabilidade". "A China sempre achou que a instalação de sistemas de defesa em regiões do mundo não é boa para o equilíbrio estratégico, a estabilidade mundial nem a confiança mútua entre dois países", concluiu.

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