Com Obama, EUA podem voltar a crescer em 2010

Apesar da crise, analistas dizem que carisma e decisões certas do presidente podem tirar economia da recessão

Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

20 de janeiro de 2009 | 08h00

Barack Obama assume a presidência americana com uma economia em recessão, cujo déficit público ultrapassa U$ 1,2 trilhão. Apesar da profunda crise, especialistas apontam que, se o novo presidente tomar as decisões certas, em 2010 os Estados Unidos já podem voltar a crescer. "Se ele for bem sucedido, no segundo semestre de 2010 a economia americana volta a crescer, e junto com ela a economia mundial", afirma Marcos Fernandes, coordenador pedagógico da escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP). No mesmo sentido, João Ildebrando Bocchi, professor de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), prevê que a recuperação leve no mínimo dois ou três anos, podendo começar em 2010. O cenário não é dos melhores: ao contrário de George W. Bush, que assumiu a presidência em 2001 herdando superávit de Bill Clinton, Obama irá enfrentar uma retração generalizada, consequências de uma crise que até agora não se descobriu o tamanho. "A situação há oito anos não era simples, mas nem se compara à atual. Todo o esforço inicial vai ser para evitar que essa recessão vire uma depressão", comenta Bocchi. No entanto, segundo Fernandes, o novo presidente pode contornar o desafio de maneira muito positiva. "Obama assume em uma situação totalmente adversa, mas crise pode ser também momento de oportunidade. Se for extremamente hábil, o capital político dele vai crescer", acrescenta o economista. Veja também:Contas no vermelho são parte da herança maldita de BushEUA foram os que mais perderam com Bush, diz analista Dez lições de Bush para Obama Veja o programa da posse de Barack ObamaGaleria de fotos do show  Cronologia de Barack Obama  Imagens da família Obama    De acordo com coordenador da FGV, em um ciclo político econômico normal de quatro anos, nos dois primeiros a tendência é que a presidência faça todos os ajustes para que depois, nos próximos dois, a economia vá bem e o presidente consiga a reeleição. "No caso de Obama, a situação é peculiar, porque ele foi eleito com muita expectativa e a crise é a mais aguda desde 1929", disse. "Ele não terá dois anos para fazer os ajustes econômicos, então tem que aproveitar seu capital político e carisma para fazer os acertos dolorosos neste ano de 2009, para que em 2010 a economia americana se recupere." Fernandes compara o momento de Obama com o de John Kennedy, na década de 1960. "É similar a Kennedy quando assume. Não era uma crise, mas era um momento de mudanças e reformas. E Obama tem carisma, o que é muito importante em uma época de crise, como Franklin Roosevelt também tinha na década de 1930", avalia. Otimismo Ildebrando Bocchi afirma que há excesso de otimismo em torno da presidência Obama, mas concorda com as medidas já anunciadas pelo democrata."Ele pode tomar algumas ações interessantes se seguir na direção em que está anunciando: forte investimentos na infra estrutura, o chamado emprego verde, e em fontes de energia renováveis. Não que isso vá tirar a economia da recessão magicamente, mas é um caminho interessante em termos econômicos e sociais", comenta. O professor destaca os planos de Obama para a classe média como um dos fatores chave para o reaquecimento econômico. "Até agora praticamente não houve ações para defender a população. Gastou-se cerca de US$ 1,5 trilhão só para segurar os bancos, enquanto os americanos endividados que atrasam suas prestações estão perdendo seus imóveis", afirma. Apesar das boas projeções, Marcos Fernandes diz que os EUA não devem voltar a crescer como nos últimos 10 anos durante a gestão Obama. "E é melhor que não seja assim, porque precisaria haver regulamentação no mercado de crédito e no mercado financeiro, principalmente nos bancos de investimento."

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