Começam prévias decisivas que decidem futuro de Hillary

Votação é aberta na manhã desta terça; senadora precisa de 70% dos votos nas primárias para seguir na disputa

Agências internacionais,

04 de março de 2008 | 08h53

As primárias decisivas nos Estados de Ohio, Texas, Vermont e Rhode Island começaram na manhã desta terça-feira, 4, e podem selar o destino da disputa entre os senadores Barack Obama e Hillary Clinton pela candidatura democrata à presidência dos EUA. A corrida pode terminar nesta terça, quando forem divulgados os resultados das prévias. Para permanecer na disputa, a ex-primeira-dama precisa conquistar mais de 70% do eleitorado no Texas e em Ohio. Veja também:"Exército" luta por Barack Obama em Ohio Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  É consenso entre os analistas - e até mesmo entre alguns dos assessores mais próximos de Hillary - que uma derrota nos dois Estados será o fim da linha para a senadora. Hillary espera se valer de seus laços com o Texas para conseguir surpreender o rival Barack Obama nas urnas, onde tem grande parte do apoio dos hispânicos. "É o Dia D da campanha", definiu Bill Richardson, governador do Novo México e ex-candidato do partido, cujo apoio é cobiçado pelos dois lados. No domingo, ele defendeu que quem sair das primárias de hoje com o maior número de delegados, deve ser o candidato do partido nas eleições de novembro. Assim, Richardson praticamente cerrou fileiras com Obama, já que para conseguir superá-lo em número de delegados, Hillary teria de obter pelo menos 70% dos votos em Ohio e no Texas. A senadora Hillary Clinton se disse "energizada", e falou em tom saudoso dos anos de juventude passados no Texas, durante um comício realizado na capital texana, Austin. Mas a senadora conciliou o saudosismo, lembrando de "quando era bem mais nova", com seu tom durão, ao concluir: "Mas fiz por merecer cada uma de minhas rugas", arrancando aplausos da platéia que compareceu ao comício que realizou na segunda-feira à noite no auditório Tony Burger Convention Center.  A ligação da senadora com o Estado data de 1972, quando ela se mudou para o Texas, durante a campanha do senador democrata à Presidência, George McGovern. Sua tarefa na época era registrar eleitores hispânicos para garantir que eles fossem às urnas. Por conta de seu histórico, Hillary é ainda muito querida pela comunidade hispânica do Texas. Acredita-se que mesmo que ela não ganhe a disputa com o rival Barack Obama no Estado, ela será capaz de arrancar muitos votos da comunidade latina do Estado.  Além de se valer de sua trajetória, a senadora também tenta tirar vantagem de ligeiros tropeços da campanha do rival. Nos últimos dias, uma emissora de TV canadense surgiu com uma reportagem que causou certo mal estar entre correligionários de Obama. A emissora relatou que um assessor econômico de Obama havia se encontrado com representantes da Embaixada do Canadá e assegurado a estes que as repetidas críticas de Obama ao Nafta, o acordo de livre comércio firmado entre México, Estados Unidos e Canadá, eram mais um posicionamento de campanha do que uma postura do candidato.  Isso serviu para que Hillary acusasse o rival de realizar críticas ao Nafta por questões eleitoreiras, de modo a atrair votos das comunidades trabalhadoras dos Estados de Ohio e Texas, que realizam primárias nesta terça-feira.  A senadora também espera em tirar proveito do indiciamento de Tony Rezko, um empresário e milionário de Chicago que foi um doador da campanha de Obama e que agora aguarda preso seu indiciamento por fraude e malversação de fundos. O indiciamento tem início nesta terça-feira. Rezko teria tido uma ligação forte com Obama, no início da trajetória política do senador, em Chicago, e teria chegado a comprar uma propriedade com Rezko por preços abaixo dos valores de mercado.  Disputa por delegados A conta é simples. De acordo com a Associated Press, Obama tem 1.193 delegados, contra 1.038 de Hillary. A votação distribuirá mais 444 delegados, dos quais 161 de Ohio e 228 do Texas. Por isso, a tarefa de tirar a vantagem de 155 delegados é quase impossível. Segundo pesquisas da Reuters-Zogby, Hillary tem pequena vantagem em Ohio, 47% a 46%, mas está atrás no Texas, onde Obama lidera por 47% a 43%.  "É o Dia D da campanha", definiu Bill Richardson, governador do Novo México e ex-candidato do partido, cujo apoio é cobiçado pelos dois lados. No domingo, ele defendeu que quem sair das primárias de hoje com o maior número de delegados, deve ser o candidato do partido nas eleições de novembro. Assim, Richardson praticamente cerrou fileiras com Obama, já que para conseguir superá-lo em número de delegados, Hillary teria de obter pelo menos 70% dos votos em Ohio e no Texas. O lobby pela desistência de Hillary começou a se articular no domingo. Os senadores John Kerry e Dick Durbin, que apóiam Obama, mandaram duros recados. "Não basta apenas vencer. Ela tem de vencer bem para continuar na corrida", disse Kerry, candidato democrata em 2004. "Espero que depois da votação de terça-feira (hoje), ela pense apenas no partido", cutucou Durbin. Completamente esquecidos na disputa desta terça estão os Estados de Rhode Island, que elege 32 delegados, e Vermont, que escolhe 23. Segundo pesquisas, Hillary tem vantagem de 9 pontos porcentuais sobre Obama em Rhode Island, 49% a 40%. O senador, porém, abriu uma frente de 24 pontos porcentuais em Vermont, 57% a 33%.  (Com Cristiano Dias, enviado especial de O Estado de S. Paulo)

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