Como primeira-dama, Hillary Clinton defendeu Nafta

Mais de 11 mil páginas da agenda diária da senadora como primeira-dama, entre 1993 e 2001, são divulgadas

Reuters,

19 de março de 2008 | 20h57

A pré-candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton costuma afirmar que é preciso renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), mas segundo arquivos recém divulgados, no passado a senadora defendeu sua aprovação. Os Arquivos Nacionais e a biblioteca presidencial Clinton divulgaram conjuntamente nesta quarta-feira, 14, mais de 11 mil páginas da agenda diária de Hillary como primeira-dama, entre 1993 e 2001.   Veja também: Obama diz que Hillary errou ao apoiar guerra no Iraque John McCain venceria democratas, diz pesquisa 'Não podemos vencer no Iraque', diz Hillary Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA     A divulgação foi uma resposta às críticas de que ela seria pouco transparente, e permite que sua campanha mostre que a senadora acumulou uma experiência valiosa como primeira-dama. Os documentos indicam claramente que Hillary teve poder durante o governo de Bill Clinton, dirigindo reuniões e encontrando-se com dignitários estrangeiros.   O acordo do Nafta, que ampliou o comércio com México e Canadá, foi considerado um grande feito por Bill Clinton em 1994, mas atualmente muitos norte-americanos acham que o tratado provocou a perda de milhares de empregos na indústria. Durante a campanha, tanto Hillary quanto seu rival Barack Obama prometeram renegociá-lo. Os documentos, porém, mostram que Hillary o defendia. Em 19 de novembro de 1993, sua agenda prevê um encontro sobre o tema na sala 450 do edifício administrativo vizinho à Casa Branca. Cerca de 120 pessoas deveriam participar, e a senadora faria um breve pronunciamento.   Em sua trivialidade, os documentos trazem à lembrança vários momentos do governo Clinton. Em 26 de janeiro de 1998, por exemplo, quando Bill Clinton negou ter mantido relações sexuais com a estagiária Monica Lewinsky, Hillary teve um dia agitado, que incluía uma mesa-redonda com alunos do Wellesley College, que ela freqüentou. Mais tarde, a primeira-dama foi a Nova York para um evento educacional e passou a noite no hotel Waldorf Astoria.   As agendas mostram também que Hillary rapidamente se envolveu na frustrada tentativa de reformar o sistema de saúde pública dos EUA. A primeira reunião dela para discutir o assunto aconteceu apenas três dias depois da posse do marido, em 20 de janeiro de 1993.   Em sua campanha presidencial, a senadora argumenta que o período dela na Casa Branca deu-lhe a experiência necessária para liderar o país em tempos de guerra e de incertezas econômicas. Durante meses, Obama pediu a Hillary para divulgar o registro de suas atividades na Casa Branca, seu imposto de renda e outros documentos.

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