Cresce preocupação sobre se Palin está pronta para debate

Candidata a vice passará três dias em rancho se preparando para enfrentar Joe Biden no evento de quinta-feira

Adam Nagourney, The New York Times

30 de setembro de 2008 | 14h04

 Um mês depois que a governadora Sarah Palin se juntou ao senador John McCain e causou empolgação entre os republicanos, ela está seguindo para um debate crítico onde vai se deparar com as dúvidas dos mais conservadores sobre sua capacidade, sinalizando que sua popularidade está caindo e evidenciando que os republicanos estão preocupados com a real ajuda que ela pode dar a McCain nas urnas em novembro.   Veja também: Correspondente do 'Estado' fala do debate de vices  Crise transforma campanha em troca de acusações  Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Palin, candidata a vice-presidente republicana, viajou para o rancho de McCain em Sedona, Arizona, na segunda-feira para três dias de preparação com um time de assessores do senador - em contraste com a pouca estruturada preparação que levou o candidato à Presidência ao seu primeiro debate contra Obama. A soma do tempo e o poder da equipe devotados para essa tarefa torna mais evidente as preocupações entre os assessores de McCain do que os seus triunfos recentes. O discurso bem recebido na convenção republicana e a atração das multidões por ela foram obscurecidos por uma série de falhas, que criaram grandes apostas para o debate de quinta-feira com o candidato a vide de Obama, o senador Joe Biden.   "Acredito que ela provou perfeitamente - e possivelmente de modo irreversível - que não está preparada para o cargo de presidente os EUA", disse David Frum, ex-preparador de discursos do presidente George W. Bush, considerado um colunista conservador. "Se ela não tiver uma boa performance, as pessoas verão". "E este é um momento de grande ansiedade, um pouco parecido com o 11 de setembro, quando as pessoas olhavam para Washington em busca de conforto e liderança e querem ter a certeza de que as pessoas no comando sabem o que estão fazendo".   Palin, governadora do Alasca, que continua a atrair grandes multidões, está ajudando McCain com a arrecadação de fundos de campanha e com o recrutamento de voluntários, está reacendendo o suporte entre os eleitores da base republicana que eram céticos em relação à sua candidatura, segundo líderes do partido afirmaram em entrevistas. Ainda que as duas últimas e difíceis semanas tenham levado alguns republicanos a reconsiderar suas avaliações iniciais sobre se ela poderia elevar o apelo de McCain com o eleitorado feminino e com o independente.   A entrevista de Palin para Katie Couric na CBS News alarmou muitos republicanos e alimentou uma paródia devastadora no programa Saturday Night Live. "Acredito que a entrevista mostrou que ela precisa ser melhor preparada em certos aspectos", disse Jim Greer, líder republicano na Flórida. "Ela continua sendo vista de modo bastante positivo pela base do partido, mas precisa demonstrar que tem conhecimento e habilidade para ser presidente". Na entrevista, Palin ligou a proximidade do seu Estado com a Rússia para garantir sua experiência em política internacional no caso de uma guerra - comentário ridicularizado na imprensa.   Pesquisas sugerem que o número de americanos que consideram que Palin não se encaixa pra o cargo de presidente cresceu desde que ela foi apresentada ao país, no mês passado. Um grande número de colunistas conservadores e pensadores criticaram publicamente a governadora ou McCain pela escolha da vice. Muitos republicanos afirmaram que tudo isso pode ajudar Palin, diminuindo as expectativa por uma performance medíocre que pode se tornar um sucesso. "Graças à imprensa, foi criada uma baixa expectativa para a sua performance", disse Ron Carey, líder do Partido Republicano em Minnesota. "O estilo de Sarah Palin vai impressionar as pessoas", afirmou.   A campanha de McCain parece não querer dar chances. Palin passa todo o tempo da preparação no rancho do colega de chapa, com o marido e os filhos. Ela está praticando para o debate com Steve Beigun, ex-membro do Conselho de Segurança Nacional do governo Bush; Randy Scheunemann, conselheiro-chefe de política externa da campanha de McCain, Randy Scheunemann; Mark Wallace, assessor da campanha da reeleição de Bush em 2004, e sua mulher, que foi diretora de comunicação da Casa Branca.   "Este debate provavelmente determinará sua pessoa política pelo resto da campanha", disse Saul Anuzis, líder republicano em Michigan. "Espero que Palin mostre ao país sua capacidade, articulação e suas habilidades de liderança para governar".

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