Crise econômica obriga Obama a rever programa de governo

Democrata diz que irá avaliar o que acontecerá com a arrecadação antes de lançar iniciativas prometidas

AP e Reuters,

23 de setembro de 2008 | 17h57

O candidato democrata à Presidência americana, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 23, que a crise financeira que os Estados Unidos atravessam e as medidas de resgate aos mercados podem levá-lo a ter que adiar caros programas de governo que ele destacou durante sua campanha à Casa Branca. Em uma entrevista à emissora NBC, ele afirmou que terá que estudar o que irá acontecer com a arrecadação fiscal do país antes de tomar decisões orçamentárias para as iniciativas que prometeu na economia, saúde, educação e outras áreas.   Enquanto a administração Bush e o Congresso negociavam os detalhes do plano de US$ 700 bilhões para a economia, Obama disse que o problema deve ser resolvido como uma crise de curto prazo com ação bipartidária, para então ser enfrentado como uma questão estrutural a longo prazo.   Veja também: Pesquisas apontam Obama como favorito para combater a crise Obama faz 4 exigências para apoiar ajuda de US$ 700 bi Joe Biden diz que crítica de Obama a McCain é 'terrível' Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA    "Apesar de estarmos enviando US$ 700 bilhões em dinheiro disponível para o Tesouro, não esperamos que todo o dinheiro seja gastado imediatamente e nem que todo aquele dinheiro seja perdido. Como estruturaremos isso em termos de orçamento tem que ser decidido", declarou Obama ao Today Show da NBC.   "Isso significa que eu poderei fazer tudo o que prometi para essa campanha imediatamente? Provavelmente não", continuou o candidato democrata. "Acredito que teremos que ir por fases."   Obama e seu rival republicano John McCain evitaram se intrometer diretamente na negociação do pacote econômico de Bush, mas nos últimos dias a crise tem dominado a campanha presidencial. Até agora, o resultado nas pesquisas sobre quem se sairia melhor nesta questão foi ligeiramente favorável ao democrata.   Segundo Obama, uma "ética da irresponsabilidade" tomou conta do governo, e McCain, que em sua longa carreira política sempre foi contra o excesso de regras, é parte desse problema. Quando se trata de campanha regulatória, o senador McCain lutou repetidamente contra as regras de bom senso que poderiam ter evitado esta crise", afirmou em um comício em Green Bay.   Por sua vez, o candidato republicano sugeriu que uma comissão bipartidária estabeleça os critérios pelos quais uma empresa poderia receber ajuda do governo. Ele sugeriu como integrantes o bilionário investidor Warren Buffet - que apóia Obama -, o ex-pré-candidato republicano a presidente Mitt Romney e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, sem partido.   McCain disse essa medida protegeria o mercado financeiro, mas sem deixar que mutuários percam suas casas, e alfinetou Obama por não apresentar sugestões na atual crise - o democrata diz que só o fará depois que o Congresso chegar a uma solução.   "Em um momento de crise, quando é preciso liderança, o senador Obama simplesmente não cumpriu. E a verdade é que não temos tempo de esperar a contribuição do Obama para agir", atacou o republicano.   As duas campanhas estrearam novos anúncios atacando-se mutuamente. McCain retratou Obama como sendo fruto da corrupta máquina política de Chicago, e os democratas disseram que o republicano quer desregulamentar o setor de saúde da mesma maneira que aconteceu com o setor financeiro.

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