Crise transforma campanha presidencial em troca de acusações

McCain acusa Obama de colocar ambição acima do país; democrata diz que lutará por plano de US$ 700 bilhões

Agências internacionais,

30 de setembro de 2008 | 08h17

A campanha presidencial americana se tornou mais agressiva com a recusa do Congresso americano em aprovar a proposta de socorro de US$ 700 bilhões para a crise financeira. Os candidatos Barack Obama e John McCain aprofundaram ainda mais a disputa, culpando o outro pelo colapso econômico que pelo rechaço dos congressistas. Percebendo que a crise lhe favorece, Obama atacou o rival na segunda: "esse é o resultado de oito anos de irresponsabilidade", disse o democrata, em campanha em Michigan. Nesta terça, ele reiterou o pedido para que o Congresso retome as negociações e aprove o acordo e afirmou que conversará com os representantes ainda nesta terça.   Veja também: Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA Entenda a crise nos EUA    Os congressistas americanos rechaçaram o pacote de resgate à economia nesta segunda por 228 votos a 205. Tanto republicanos quanto democratas votaram em peso contra a proposta do governo. O impasse ocorre em um momento no qual a questão econômica atinge um grau de importância na corrida presidencial sem precedente desde a Grande Depressão, iniciada com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. Obama afirmou na segunda-feira que seu rival republicano foi contra o regulamento das operações econômicas por anos. McCain afirmou que o democrata está colocando suas ambições políticas acima do bem estar da nação, afirmando que a disputa se resume em uma simples pergunta: "o país primeiro ou Obama primeiro?"   A crise financeira foi combustível para a campanha de McCain, um veterano da guerra do Vietnã e que está há 26 anos no Congresso, e de Obama, senador em primeiro mandato em Illinois que tenta entrar para a história como o primeiro presidente negro. Em sua primeira aparição pública depois do debate realizado na sexta-feira, McCain declarou em Ohio nesta segunda que a política fiscal e de gastos do democrata irão "piorar a recessão" americana. Logo após os deputados americanos barrarem o plano de resgate à economia, o candidato democrata fez um pronunciamento responsabilizando os "oito anos de irresponsabilidade" do governo Bush pelo colapso econômico do país.   Prejuízos a McCain   McCain não consegue se livrar do colapso do sistema financeiro americano, que parece ter atingido tanto a economia dos EUA quanto a sua candidatura. Desde que o mercado começou a se deteriorar, semana passada, McCain perdeu a liderança para o rival democrata, Barack Obama, que se distanciou nas pesquisas. Na tentativa de retomar o controle da disputa, McCain tomou uma série de decisões desastrosas. A última delas foi ontem, ao tentar assumir a paternidade do pacote. "Suspendi minha campanha para trabalhar por esse plano", disse o republicano. "Muitos criticaram minha decisão, mas não sou o tipo de político que trabalha nos bastidores."   Steve Schmidt, estrategista de McCain, também reivindicou o crédito para o candidato. "Foi ele quem conseguiu os votos para a aprovação do plano", disse. Mitt Romney, adversário de McCain nas prévias do partido, festejou a participação do candidato nas negociações. "O acordo não seria fechado se não fosse ele", afirmou à TV NBC. Algumas horas depois, no entanto, o plano foi rejeitado pelo Congresso com o voto da maioria dos deputados republicanos que McCain supunha controlar. Vários analistas afirmaram que a estratégia faz parte de uma seqüência de erros que se arrastam há uma semana.   Segunda-feira passada, McCain afirmou, em comício na Flórida, que "os fundamentos da economia americana eram fortes". No mesmo dia, era anunciada a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers e a Bolsa de Nova York despencou 4,42% - a maior queda desde os ataques de 11 de setembro de 2001. No dia seguinte, em Michigan, ele condenou a ajuda financeira para a seguradora AIG. Horas depois, foi exatamente isso que o governo fez. Na quarta-feira, o republicano se precipitou de novo ao pedir a demissão do presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), Christopher Cox, bastante popular entre os conservadores. Nem os republicanos gostaram.   A ida de McCain para Washington mais atrapalhou do que ajudou a aprovação do plano - muitos congressistas reclamaram que haviam chegado a um acordo para aprovação do pacote até que McCain chegou à cidade, politizou a discussão e criou o impasse. A maré ruim acabou se refletindo no resultado do debate. Apesar de equilibrado, a percepção dos eleitores americanos foi a de que Obama levou a melhor, de acordo com pesquisas das redes CNN e CBS.   Com The New York Times

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