Debates antigos mostram uma Palin vaga e confiante

Após deslizes, candidata a vice republicana passa por curso intensivo para enfrentar vice de Obama em debate

The New York Times,

01 de outubro de 2008 | 09h38

Recém-chegada ao cenário nacional, a candidata a vice-presidente de John McCain, Sarah Palin, deu poucas indicações de seu engajamento de modo sério nas questões nacionais e da política externa americana. As gafes a transformaram em piada favorita dos comediantes e sua popularidade despencou. A análise das suas performances em debates na disputa pelo governo do Alasca, em 2006, mostra uma pessoa bastante diferente da apresentada por McCain.   Veja também: Correspondente do 'Estado' fala do debate de vices  Petrolífera pagou estudo de Palin contra urso polar Quadro de Sarah Palin nua faz sucesso em bar Sarah Palin vira preocupação para McCain Obama x McCain Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Sarah vem se mostrando um fiasco quando fala sem o teleprompter. Em sua primeira entrevista, a Charlie Gibson, da rede ABC, ela não soube dizer o que era a Doutrina Bush e afirmou ser especialista em política externa por causa da proximidade entre seu Estado e a Rússia. "Dá para ver a Rússia do Alasca", disse. Os democratas não perdoaram. "Da minha casa, eu vejo a Lua. Isso não faz de mim um astrofísico", disse Paul Begala, comentarista da CNN. No auge da crise econômica, em entrevista a Kate Couric, da CBS, Sarah elogiou McCain por defender a intervenção no mercado financeiro. "Mas McCain sempre foi contra a regulamentação. Você poderia me citar alguma medida que ele tenha tomado para regular a economia?", perguntou Kate. "Eu vou checar e te falo depois", respondeu Sarah.   Palin, uma ex-prefeita e atual governadora envolvida em um inquérito por falta de ética, orientou a si mesma em seus debates. Desta vez, ela foi enviada para a casa de McCain, no Arizona, para um curso intensivo sobre política interna e externa para o debate contra o democrata Joe Biden, vice de Obama, marcado para quinta-feira.   No passado, Palin mostrou uma posição populista contra companhias petrolíferas e projetou uma imagem fresca num momento em que os eleitores queriam mudanças. Isso ajudou na derrota do impopular governador republicano Frank H. Murkowski nas primárias e o ex-governador Tony Knowles nas eleições gerais. Seu estilo de debate é poucas vezes voltado para o confronto, e ela aparenta confiança. Em contrate com os dias atuais, quando Palin poucas vezes mostra posicionamento em questões importantes, ela demonstrava fluência em determinados temas, particularmente desenvolvimento de gás e petróleo.   Justamente neste momento, Palin fala sobre generalidades e mostra escassa aptidão em desenvolver mais de um ou dois pontos de argumentação na fala. Suas frases são marcadas por repetições e pela expressão "aqui no Alasca". Quando questionada sobre as questões do governo, Palin tende a evitar assuntos específicos e tenta rebatê-los com seus valores: uma filosofia amplamente conservadora e seu espírito de "nós podemos fazer". Isso explicaria porque a campanha de McCain negociou por menos tempo para o debate de quinta com Joe Biden do que os candidatos presidenciais tiveram na semana passada.   Biden, que foi rival de Obama nas primárias, também pode gerar preocupações para a campanha democrata. Em comício na semana passada, Biden criticou a passividade de Bush, afirmando que ele deveria agir como Franklin Roosevelt, que foi à TV acalmar os mercados após a crise de 1929 - quando Roosevelt não era presidente e nem havia televisão. Alguns dias depois, em discurso no Missouri, Biden pediu um caloroso aplauso para o senador democrata Chuck Graham, que estava presente no salão. "Vamos, Chuck, fique de pé", gritou Biden, sem perceber que o senador era paraplégico.

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