Democratas disputam voto negro na Carolina do Sul

Para Barack Obama, é essencial vencer as primárias nesse Estado após duas derrotas para Hillary

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S.Paulo,

25 de janeiro de 2008 | 22h02

Sábado, 26, é dia de decisão para os candidatos democratas Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards, que terão uma dura batalha pela preferência dos eleitores da Carolina do Sul. Dos três, apenas Hillary não concorre pressionada pelo resultado.  Veja também: Cobertura completa das eleições nos EUA Especial eleições americanas Depois de duas derrotas seguidas para a senadora - em New Hampshire e Nevada -, uma vitória é essencial para Obama. O mesmo vale para Edwards, que ainda não venceu nenhuma primária até agora e precisa de um bom resultado no Estado onde nasceu para continuar na disputa. Uma pesquisa da Reuters-Zogby, divulgada nesta sexta-feira, 25, mostrou Obama 13 pontos porcentuais à frente de Hillary - ele lidera com 38% a 25%. Edwards aparece em terceiro, mas muito próximo da ex-primeira-dama, com 21%.  O grande tema da campanha na Carolina do Sul foi a questão racial - mais da metade do eleitorado do Estado é composta por negros. A maioria das pesquisas mostra que 55% deles votam em Obama, enquanto 18% preferem Hillary. Já Edwards lidera entre o eleitorado branco. Ele tem 36%, contra 33% de Hillary e 18% de Obama. Diante dos números, a senadora passou os últimos dias de campanha tentando baixar as expectativas sobre seu desempenho na Carolina do Sul. Com a derrota iminente, ela deixou a campanha no Estado a cargo de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e foi dedicar seu tempo a comícios em Estados que terão primárias na Superterça, dia 5, entre eles Califórnia e Nova York.  Sozinho na Carolina do Sul, Clinton apostou toda a popularidade que tem entre a comunidade negra - ele chegou a ser chamado pela escritora Toni Morrison de "o primeiro presidente negro dos EUA". No entanto, os duros ataques do ex-presidente a Obama e algumas observações consideradas racistas estão levando parte dos eleitores negros a rejeitarem Hillary. Durante a semana, Clinton afirmou que várias posições políticas de Obama, entre elas a oposição do senador à guerra do Iraque, eram um "conto de fadas". A campanha de Hillary aproveitou ainda para tirar de contexto um elogio de Obama ao ex-presidente Ronald Reagan para fazer um anúncio de rádio, que identificou o senador com os ideais históricos dos adversários republicanos. Muitos caciques do partido - entre eles os senadores Patrick Leahy e Edward Kennedy - não gostaram. Eles acham que a campanha de Hillary está passando dos limites e temem que os ataques a Obama se voltem mais tarde contra os próprios democratas. Caso Hillary vença as primárias, ela precisará do voto de jovens e negros, que hoje apóiam Obama, mas que poderiam boicotar a candidatura da senadora nas eleições de novembro.

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