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Democratas esperam ampliar controle do Congresso

Para analista, resultado destas eleições pode 'determinar o tom' para os EUA dos próximos 15 anos

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

04 de novembro de 2008 | 07h02

As eleições para o Congresso norte-americano acontecem em um momento considerado como um dos mais difíceis para o Partido Republicano desde o caso Watergate, o escândalo político que culminou na renúncia do então presidente Richard Nixon, na década de 1970. "Esta eleição pode ser tão importante quanto a vitória em massa dos democratas depois do Watergate em 1974. (O resultado) pode determinar o tom para o país para os próximos 15 anos", disse à Agência Estado Robert A. Pastor, diretor do Centro para Democracia e Gerência Eleitoral e professor de Relações Internacionais da American University, em Washington.   Veja também: Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA      Há 34 anos, a reação dos eleitores ao escândalo Watergate deu ampla maioria ao Partido Democrata tanto no Senado quanto na Câmara. Agora, é o colapso da economia, abalada pela escassez de crédito e declínio agudo dos preços dos imóveis, que colocou os republicanos em situação vulnerável depois de sete anos e meio de administração George W. Bush. A economia já está em recessão, na avaliação de muitos em Wall Street.   Dados do terceiro trimestre revelam declínio de 0,3% do PIB em comparação ao trimestre anterior, marcando a retração mais forte desde 2001, ano dos ataques terroristas às torres do World Trade Center, em Nova York. Vale destacar que os gastos dos consumidores, item que representa cerca de 70% do crescimento da economia do país, registraram a queda mais severa desde a década de 1980, declinando 3,1% no terceiro trimestre do ano.   Embora o Partido Democrata já tenha obtido, em 2006, o controle das duas casas do Congresso, depois de 12 anos de maioria republicana, agora, o partido do candidato Barack Obama busca maioria maciça no Senado, tentando ampliar a marca para 60 cadeiras. Atualmente, os democratas são maioria por uma margem magra, de 51 a 49. No Senado, cerca de um terço das 100 cadeiras estão na disputa eleitoral.   Na Câmara, todas as cadeiras estão submetidas à eleição. Os democratas têm maioria por 235 a 199 e uma cadeira vaga, o que significa vantagem de 36 cadeiras. Também nesta casa, os democratas ameaçam derrotar os republicanos até mesmo nos seus redutos eleitorais. "A administração Bush tem sido uma das mais desastrosas na história recente e está puxando para baixo o partido inteiro nesta eleição", acrescentou Pastor, que tem quase uma dezena de livros publicados no país relacionados a temas políticos.   Analistas independentes estimam que de 20 a 30 cadeiras poderão ser absorvidas pelos democratas na Câmara, mas um foco importante das disputas destas eleições legislativas nos EUA volta-se para as chamadas 'cadeiras abertas'. Estas são cadeiras de legisladores que ao fim do mandato não querem se candidatar à reeleição e estão buscando outros postos na política ou que estão se aposentando, como é o caso para o Estado de Minnesota.   Em setembro, o republicano Jim Ramstad (Minnesota), anunciou que se aposentaria depois de 17 anos na Câmara, o que pode representar uma perda potencial para o partido. Na época, o próprio Ramstad admitiu que, após sua saída, o distrito "não está garantido" como uma vaga republicana, reconhecendo o acirramento da disputa com os democratas. Contando a cadeira de Ramstad, os republicanos terão nesta eleição o número significativo de 29 cadeiras abertas, que serão disputadas ferozmente pelos democratas. Para este partido, o número de cadeiras abertas é de apenas seis nesta eleição.   'Main Street'   Além dos anos de administração Bush, a aprovação pelo Congresso do pacote de resgate proposto pelo Tesouro, de cerca de US$ 700 bilhões, foi vista, de forma predominante, como um socorro para Wall Street e, por isso, não agradou a chamada 'Main Street', ou seja, o americano da classe média. A percepção dominante é de que o socorro recompensou aqueles que foram 'imprudentes e gananciosos', como os políticos têm se referido com freqüência no país.     "Precisamos evitar que os recursos do pacote caiam na mão dos executivos", repetiu Obama no terceiro e último debate presidencial, realizado em Nova York. Com a crise econômica, a equipe de campanha do Partido Republicano tem reconhecido que seus candidatos às duas casas do Congresso têm sofrido, principalmente sendo este o legado imediato dos dois mandatos da Presidência sob o republicano Bush.   Diante de indicações de perdas significativas dos republicanos nas eleições legislativas, o partido tem se dedicado a fazer advertências ao eleitorado sobre o que classifica como os riscos derivados do predomínio de um único partido no Congresso, sem falar se a Casa Branca também ficar com o democrata Obama.   Na última semana, o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, dedicou-se em pessoa à tarefa, alertando os eleitores para evitar dar aos democratas o controle das duas casas. O analista Richard W. Rahn, do Cato Institute, destaca a importância do Congresso de acordo com a Constituição dos EUA, mostrando que os congressistas detêm o poder para aprovar ou rejeitar alterações na política tributária e alocação de recursos, por exemplo, "e não o presidente."     Mas Rahn, que também é presidente do Instituto para Crescimento Econômico Global no país, dedicado à consultoria para políticas pró-crescimento, observa que o Congresso "sempre reescreve as propostas presidenciais, mesmo quando o presidente e a maioria do Congresso são do mesmo partido."   Eleição legislativa   No âmbito da eleição legislativa, além do tema economia, outros assuntos ganham foco para definir a vitória dos candidatos. O item saúde é chave, observa o pesquisador John Holahan, do Urban Institute, de pesquisa independente. Isto significa que o voto daqueles que não têm seguro-saúde deve desempenhar um fator importante. Segundo o especialista, em dois anos até 2006, praticamente todo o aumento de pessoas sem seguro-saúde estava entre adultos, sendo que a razão para o aumento do número é o cancelamento do plano feito pelo empregador.   "A cobertura (de saúde) por meio dos empregadores tem declinado de forma consistente na última década", acrescenta Holahan, do instituto sediado em Washington. Dois outros temas sensíveis na eleição dos congressistas são os de cunho polêmico como o posicionamento dos candidatos sobre o aborto ou a união civil entre pessoas do mesmo sexo.   Os analistas advertem para que ninguém se impressione muito com as pesquisas de boca-de-urna feitas exclusivamente na saída dos postos de votação em 4 de novembro. O pesquisador Michael McDonald, do The Brookings Institution, lembra que mais de 10 milhões de pessoas já haviam votado até cerca de uma semana antes desta data.   Assim, estes eleitores que votaram antes podem representar um problema para o resultado das pesquisas de boca-de-urna realizadas apenas in loco e no dia 4, quando se encerra o prazo para votação, uma vez que aumenta o potencial para que o resultado final da eleição se desvie do resultado apresentado nessas sondagens.

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