Democratas tentam reunificar partido em Convenção

Michelle Obama discursa para provar a eleitores reticentes que ele é exemplo do sonho americano

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 09h10

Mais de 4.200 delegados do Partido Democrata se reúnem a partir desta segunda-feira, 25, em Denver, para nomear oficialmente Barack Obama como candidato e tentar reverter os danos provocados pela batalha nas primárias com a ex-rival Hillary Clinton. Segundo o senador, a Convenção Nacional será uma oportunidade para os eleitores o conheçam melhor e atrair os que ainda relutam com a perspectiva de colocar na Casa Branca um candidato negro com um histórico incomum: filho de um muçulmano do Quênia e uma mãe branca do Kansas, Obama cresceu na Indonésia e no Havaí.   Cada um dos quatro dias da convenção, que acontece até a quinta-feira, conta com um tema específico. O primeiro dos quatro dias da convenção será dedicado a "americanizar" Obama, mostrando suas raízes e história de vida. A estrela da noite é a mulher do candidato, Michelle, cujo discurso abre o evento. É a primeira vez que uma potencial primeira-dama tem uma participação tão importante na convenção. Além disso, também foram convocados o irmão de Michelle, Craig Robinson, e a meia-irmã de Obama, Maya Soetoro-Ng, que falarão sobre a trajetória e a família do candidato democrata.   Veja também: Apesar de câncer, Ted Kennedy integra convenção Hillary deve liberar delegados para votarem em Obama Obama mantém vantagem sobre McCain em pesquisas Veja imagens da Convenção Democrata  Patrícia C. Mello fala sobre a programação  Obama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Na convenção, os parentes de Obama querem mostrar que o candidato é o exemplo do sonho americano: abandonado pelo pai, cresceu com dificuldades financeiras, ganhou bolsa de estudos para cursar uma boa escola e universidades de primeira linha - e depois rejeitou empregos com altos salários para trabalhar como líder comunitário em Chicago. Michelle, que cresceu no bairro pobre de South Side, em Chicago, e estudou nas Universidades Princeton e Harvard com bolsas de estudos, também falará de sua experiência com a meritocracia americana.   À noite, haverá uma homenagem ao senador Ted Kennedy, um dos mais admirados legisladores democratas, que está lutando contra um câncer no cérebro. Será exibido um documentário sobre o senador, que pode fazer uma aparição surpresa. O ex-presidente Jimmy Carter, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, a senadora por Missouri, Claire McCaskill (uma das primeiras a anunciar seu apoio a Obama), e o deputado e veterano do movimento de Direitos Civis Jesse Jackson também vão participar da Convenção Democrata.   Mas os democratas terão pela frente um desafio muito maior do que o de levar adiante o gigantesco aparato da cerimônia, com um desfecho inédito na história das convenções: um discurso de Barack Obama em um estádio de futebol americano com capacidade para mais de 75 mil pessoas. Segundo a BBC, o partido terá de demonstrar união e colocar para trás os mais de 15 meses de uma tensa campanha de disputa das primárias eleitorais, entre a senadora Hillary Clinton e Barack Obama.   "Hillary Clinton será uma voz importante na campanha e para levar este país adiante na próxima administração", assinalou no domingo o chefe da campanha do democrata, David Axelrod. Robert Gibbs, estrategista da campanha, afirmou que o senador conversou com a ex-rival durante toda a semana, assim como com o ex-presidente Bill Clinton. Para apaziguar os ânimos dos correligionários de Hillary, em um gesto simbólico, ela terá seu nome incluído como candidata na convenção, ainda que, na prática, não seja possível que ela desbanque Obama, cuja candidatura o evento visa ratificar.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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