Derrotados, Romney e Hillary enfrentam prévia decisiva

Ex-favoritos, republicano e democrata adotam tom agressivo em campanhas para as prévias de New Hampshire

Reuters,

04 de janeiro de 2008 | 19h15

Embora em lados diametralmente oposto no espectro político americano, os pré-candidatos republicano Mitt Romney e a democrata Hillary Clinton descobriram nesta sexta-feira, 4, que possuem uma missão em comum: provar que são candidatos viáveis para a indicação de seus partidos nas primárias do Estado de New Hampshire.   Veja também: Hillary e McCain lideram em New Hampshire Obama e Huckabee saem na frente Vencedores rumam a New Hampshire Para Obama, esperança jovens garantiu vitória Democratas Biden e Dodd desistem da disputa Patrícia: o príncipe e a desolação branca Cobertura completa das eleições nos EUA Conheça os pré-candidatos   É o que dizem todos os analistas. Caso não ganhem no pequeno estado do leste dos Estados Unidos, ambos estarão em uma posição difícil para continuar na disputa pela candidatura oficial de seus partidos para a corrida pela Casa Branca. Até a noite de quinta-feira, 3, Hillary e Romney eram favoritos a conquistar as indicações. Mas com as derrotas para Barack Obama (democrata) e Mike Huckabee (republicano) no caucus de Iowa, o cenário parecia incerto.   Ainda assim, Hillary, que segundo a última pesquisa Reuters/C-Span/Zogby está 6 pontos porcentuais à frente de Obama, tem uma posição mais confortável. Ela aparece com 32% das intenções de voto entre os democratas do Estado, contra 26% do senador pelo Estado de Illinois.   Não por acaso, a senadora por Nova York parecia confiante ao chegar a New Hampshire nesta sexta-feira, e partiu para a ofensiva.   "Este é um novo dia e este é um novo Estado", afirmou Hillary a repórteres após chegar ao Estado da região da Nova Inglaterra. "Não podemos ter falsas esperanças. Precisamos de alguém que consiga ingressar no Salão Oval no primeiro dia de mandato e que consiga dar início ao duro trabalho necessário para realizar mudanças", afirmou a candidata, terceiro lugar no caucus de Iowa.   A pesquisa divulgada nesta sexta-feira, no entanto, foi realizada antes da confirmação dos resultados em Iowa. No estado, cujas prévias deram início ao processo de escolha do próximo presidente norte-americano, a ex-primeira-dama ficou em um decepcionante terceiro lugar, 9 pontos percentuais atrás de Obama e com um pouco de votos a menos do que o ex-senador pelo Estado da Carolina do Norte John Edwards.   Por isso, muitos analistas acreditam que New Hampshire transformou-se em uma disputa que Hillary precisa vencer. Caso contrário, argumentam os especialistas, seu índice de apoio nos outros estados deve cair.   Para piorar, Obama desembarca fortalecido para as próximas prévias - prevê-se que o candidato, com sua vitória em Iowa, consiga ganhar terreno na votação da próxima semana.   Apesar da derrota, a ex-primeira-dama dos EUA apostou na estratégia que vinha desenhando em Iowa, e voltou a opor sua suposta experiência à falta de vivência de Obama. Ainda assim, ela adotou com maior afinco promessas de transformação, um dos trunfos do discurso de seu adversário.   Em um comício realizado na cidade de Nashua, Hillary sugerir ser ela a pessoa mais adequada para promover mudanças, e pediu a seus simpatizantes que pensassem nisso "baseados não apenas em um sopro de esperança", mas nas conquistas anteriores dos pré-candidatos.   Republicanos   A situação não é mais tranqüila para o candidato favorito do Partido Republicano.   Isso porque, além da derrota para Huckabee, Romney terá lidar com o fato de ser um terceiro pré-candidato, o senador John McCain, o favorito na pesquisa Reuters/C-Span/Zogby para a primária de New Hampshire. Além disso, o ex-governador de Massachusetts tem sido amplamente criticado pela imprensa do estado.   Ainda assim, ele parecia ter superado a surpreendente derrota por oito pontos porcentuais para Huckabee, e ressaltou que a campanha pela vaga na chapa republicana é uma luta que envolve 50 Estados.   "Ficar em primeiro lugar em Iowa não é necessário para ser o candidato oficial," disse o ex-governador de Massachusetts depois de tomar café da manhã com eleitores na cidade de Portsmouth, em New Hampshire. "As coisas estão muito boas para mim," disse Romney. "Espero avançar de forma agressiva nesta campanha. Minha expectativa é ganhar. Espero ganhar."   Críticas   Não é o que parecem querer os jornais locais. O diário Concord Monitor, de New Hampshire, chamou o candidato de uma farsa por suas mudanças de posição em assuntos importantes, como os direitos dos homossexuais e o controle das armas de fogo.   Já o Boston Globe - maior jornal da Nova Inglaterra - adotou McCain como favorito na corrida republicana. O mesmo fez o Boston Herald, um tablóide de tendência direitista. McCain também recebeu o apoio do Union Leader, o maior jornal de New Hampshire. Segundo os jornais, Romney é questionável por causa de afirmações como a de que "toda a vida foi caçador," para depois ter admitido que só foi caçar duas vezes.

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