Disputa Hillary-Obama eleva número de eleitores democratas

'Washington Post' afirma que mais de um milhão de novos votantes se registraram nas últimas sete prévias

Agências internacionais,

28 de abril de 2008 | 10h56

A disputa entre Hillary Clinton e  Barack Obama aumentou o número de eleitores democratas, segundo afirma reportagem do jornal The Washington Post desta segunda-feira, 28. A briga interna pela nomeação engajou novos votantes, com a perspectiva de mudar a política do país. Os últimos sete Estados que realizaram primárias registraram mais de 1 milhão de novos democratas, enquanto os republicanos reduziram ou mantiveram seus números. Nos Estados de Indiana e Carolina do Norte, onde acontecem prévias na próxima semana, a quantia de eleitores triplicou em comparação às eleições de 2004.   Veja também: Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  ''Raça não será determinante'', diz Obama   "Estamos próximos de atingir recordes em primárias", disse Curtis Gans, diretor do Comitê de Estudos do Eleitorado Americano. "O impacto em uma maioria história dependerá de quem são esses eleitores e se eles conseguirão ou não o que querem".   Alguns democratas temem que a prolongada disputa interna provoque divisões benéficas a McCain, mas Howard Wolfson, estrategista da campanha de Hillary, concorda com Obama sobre a perspectiva de unidade partidária. "Tanto a campanha de Obama quanto a campanha de Clinton estão absolutamente comprometidas em se unirem na conclusão deste processo, somando-se a quem for o candidato e apoiando entusiasticamente essa pessoa", disse ele à rede CBS.   Fazendo campanha na Carolina do Norte (que vota junto com Indiana no próximo dia 6), Hillary lamentou que Obama tenha se recusado a participar de um debate entre eles sem mediador. "Questões duras (de um moderador) num debate não são a mesma coisa que as questões duras que você encontra na Casa Branca", disse a ex-primeira-dama, hoje senadora.Obama prioriza encontros com eleitores, mas no domingo disse que ficaria "mais do que feliz em considerar" outro debate depois de Indiana.   Questão racial   Na luta para cativar o eleitorado branco, o pré-candidato democrata à presidência dos EUA Barack Obama disse em entrevista transmitida no domingo que a questão racial não deve influir na campanha presidencial de novembro, que pode transformá-lo no primeiro presidente negro na história norte-americana.   "A raça ainda é um fator na nossa sociedade? Sim. Não acho que alguém negue isso", disse Obama ao canal Fox News, numa entrevista gravada no sábado. "Será isso determinante na eleição geral? Não, porque estou absolutamente confiante de que o povo norte-americano está procurando alguém que possa resolver seus problemas."   Obama disputa contra Hillary Clinton a indicação do Partido Democrata, que terá como adversário em novembro o republicano John McCain. Ele lidera em número de votos já obtidos, em delegados acumulados e em Estados vencidos. Mas as vitórias de Hillary em Estados politicamente estratégicos como Pensilvânia e Ohio geram dúvidas sobre a capacidade dele em atrair o voto dos brancos.   Na Pensilvânia, Hillary venceu entre os eleitores sindicalizados e entre os católicos brancos - dois eleitorados democratas importantes - por uma margem de 70-30%. Um em cada sete eleitores da Pensilvânia considerava que a raça era uma questão importante, e esse bloco votou majoritariamente contra Obama. O senador argumentou ter conquistado muitos desses eleitores em outros Estados, e que mesmo em lugares como a Pensilvânia eles tendem a apoiá-lo contra McCain uma vez que a indicação esteja definida.   "Estou confiante de que, quando se chegar a uma eleição geral e houver um debate sobre o futuro deste país - como vamos reduzir o preço da gasolina, como vamos lidar com a perda de empregos, como vamos focar na independência energética -, são esses eleitores que eu poderei atrair", disse Obama. "Se eu perder, não será por causa da raça. Será porque cometi erros na campanha, não comuniquei efetivamente meus planos em termos de ajudar (as pessoas) nas suas vidas cotidianas."

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