Disputa que elegeu Obama foi a mais cara de todos os tempos

Os nove candidatos democratas e os nove republicanos gastaram mais de US$ 1,5 bilhão

Reuters e AP,

05 de novembro de 2008 | 03h03

A eleição presidencial americana terminou na terça-feira, 4, com vários recordes quebrados. Foi o processo eleitoral mais longo da história - o presidente eleito Barack Obama lançou-se candidato em fevereiro de 2007 e passou 633 dias em campanha - e o mais caro de todos os tempos. Os nove candidatos democratas e os nove republicanos gastaram mais de US$ 1,5 bilhão.   Veja também Galeria com imagens do dia de votação nos EUA  Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Apenas Obama e o republicano John McCain gastaram a metade desse valor. Excluindo os dados sobre a arrecadação de outubro, que ainda não foram divulgados, Obama faturou US$ 660 milhões. McCain, US$ 238 milhões.   Ao todo, foram 21 debates entre os pré-candidatos democratas, a maioria entre Obama e a senadora Hillary Clinton, que duelaram até junho pela indicação do Partido Democrata. Obama ficou com a vaga, vencendo em 29 Estados, enquanto Hillary levou 19 - em Michigan e na Flórida não houve disputa.   A corrida presidencial foi desgastante também do lado republicano. McCain passou 559 dias em campanha e teve de enfrentar 15 debates durante as prévias. Para ficar com a vaga do partido, ele venceu as primárias em 31 Estados. O restante das disputas estaduais ficou com Mitt Romney, que venceu 11, e Mike Huckabee, 8.   Dinheiro   Para levar a sua campanha a todos os 50 Estados americanos, durante quase dois anos o candidato democrata gastou US$ 40 milhões em viagens, US$ 46 milhões em salários de assessores e US$ 240 milhões em anúncios publicitários.   Os gastos de McCain foram mais modestos: US$ 20 milhões em despesas de viagem, US$ 20 milhões em salários e US$ 116 milhões em propaganda - sem contar os já famosos US$ 150 mil torrados com o guarda-roupa de Sarah Palin, a vice da chapa republicana.   Segundo a Universidade George Mason, do Estado de Virgínia, 137 milhões de americanos estavam aptos a votar este ano. Se for confirmado o comparecimento de 64,3% de eleitores, será o mais alto desde as eleições de 1908.   De acordo com estimativas da mesma universidade, 44 milhões de pessoas teriam votado antecipadamente, cerca de 32% do eleitorado. Em 2004, foram 25 milhões de votos antecipados (22%). Em 2000, cerca de 18 milhões (18%).   O melhor sinal da empolgação dos eleitores este ano foi o alto comparecimento em comícios, principalmente quando a estrela era Barack Obama. O democrata atraiu 75 mil pessoas para ouvi-lo em Portland, Oregon; em maio, pouco mais de 90 mil em St. Louis, Missouri, em outubro; e bateu seu recorde de público em eventos dentro dos Estados Unidos na semana passada, quando levou 100 mil pessoas a um comício em Denver, Colorado. O maior público de Obama, no entanto, foi em Berlim, quando ele discursou para 200 mil pessoas diante da Coluna da Vitória, em julho.   Última Meta   Depois de um começo sonolento, em que chegou a discursar para algumas centenas de pessoas na Louisiana, em junho, a platéia de John McCain cresceu com a escolha de Sarah Palin como vice. Graças à presença dela, o republicano bateu seu recorde de público e atraiu 23 mil pessoas para um comício na cidade de Fairfax, na Virgínia, em setembro.   Ontem, após o fim da votação, a expectativa de muitos analistas que já davam a vitória de Obama como certa era saber se o democrata superaria uma última barreira: os 50% dos votos. Antes dele, o último presidente democrata eleito com mais da metade dos votos foi Jimmy Carter, em 1976. Mesmo assim, foi por pouco, com 50,1% dos votos.

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