Dívida de campanha de Hillary é uma das maiores da história

Após desistir da disputa democrata, ex-primeira-dama enfrenta desafio de saldar mais de US$ 20 milhões

Michael Luo, The New York Times

10 de junho de 2008 | 08h57

Com a campanha presidencial oficialmente suspensa, a senadora Hillary Rodham Clinton enfrenta agora outro desafio: reduzir gradualmente o que pode ser a maior dívida de campanha da história dos Estados Unidos. Além dos US$ 11,4 milhões que ela emprestou do próprio bolso, a ex-primeira-dama tinha US$ 9,5 milhões em dívidas com fornecedores no final de abril, de acordo com os dados mais recentes da Comissão Eleitoral Federal.   Veja também: Possíveis vice-candidatos para Obama Possíveis vice-candidatos para McCain Obama x McCain  Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Ainda não está claro o saldo final da dívida, o qual ela ainda não divulgou porque a campanha ainda está finalizando o balanço de maio. Os números serão entregues no dia 20 de junho. Porém, Mo Elleithee, porta-voz da campanha, declarou que eles não esperam "que os números da dívida sejam significantemente diferentes do último reportado."   Outro candidato derramou mais do seu próprio dinheiro em suas verbas presidenciais, como Mitt Romney, que gastou mais de US$ 44 milhões na disputa pela nomeação republicana sem ter sucesso. Seu dinheiro foi tecnicamente classificado por sua campanha como um empréstimo, mas estava claro desde o início que ele simplesmente financiou grande parte da própria campanha.   O que faz a situação de Hillary incomum é a combinação de contas a pagar e seu empréstimo pessoal. Registros mostram que outros candidatos derrotados deveram menos da metade aos fornecedores do que ela deve aos negócios. "Isso é sem precedentes", disse Jan Baran, tesoureiro da campanha com Wiley Rein.   O ex-prefeito de Nova York Rudolph W. Giuliani encerrou sua campanha pela nomeação republicana com devendo numerosos fornecedores, mas o total de sua dívida foi de US$ 3,6 milhões, incluindo os US$ 500 mil que ele emprestou para a campanha. Um dos memoráveis casos de dívida, o ex-senador John Glenn, de Ohio, encerrou a disputa um balanço de cerca de US$ 3 milhões. Ele esforçou-se por mais de 20 anos para saldá-la, até que a Comissão Eleitoral Federal amortizou o valor.   As opções de Hillary para aposentar seu débito são limitadas. Num aspecto positivo, ela levantou aproximadamente US$ 1 milhão em doações pela internet e correio desde que as urnas foram fechadas em Dakota do Sul e Montana nas prévias finais, segundo afirmou sua campanha. O contínuo fluxo de doações, mesmo depois que o senador Barack Obama ultrapassou o número necessário de delegados para a nomeação, pode indicar que os eleitores de Hillary são fiéis o bastante para ajudar com o pagamento da dívida.   Fora isso, a opção mais discutida seria Obama, agora virtual candidato, incentivar sua equipe de mobilização de fundos a ajudá-la com uma série de eventos compartilhados. As leis de finanças de campanha proíbem Obama de simplesmente transferir dinheiro para Hillary. Porém, arrecadadores do senador podem pedir doações para a ex-rival.   David Plouffe, diretor da campanha de Obama, se encontrará com um dos principais arrecadadores de Hillary na quinta-feira, de acordo com o site Talking Points Memo e confirmado posteriormente por um assessor da senadora. Muitos membros da equipe do candidato, porém, afirmaram privadamente que acreditam que seria difícil ajudar Hillary com a dívida, já que eles ainda estão levantando dinheiro para a disputa presidencial e para os cofres da Convenção Nacional Democrata, que, está bem atrás da arrecadação da Convenção Republicana.   Eles ainda indicam que alguns doadores de Obama dificilmente superariam a hostilidade que desenvolveram por Hillary durante a batalha na temporada de primárias. Como exemplo de como pode ser difícil levantar dinheiro para outro candidato, a campanha de John McCain concordou em ajudar Giuliani a aposentar sua dívida, mas os progressos são lentos por conta da necessidade em conseguir doações para McCain, o virtual candidato republicano, e para o partido.   Ainda que Hillary consiga pagar suas dívidas, sua campanha deve liquidar ainda mais de US$ 23 milhões em contribuições desprezadas para a eleição geral. Eles ainda podem cumprir a meta retornando com o apoio dos doadores ou designando a campanha para sua campanha de reeleição para o Senado em 2012, com a condição de que os seus doadores permitam que ela o faça. Hillary poderia simplesmente fechar as portas de seu comitê presidencial e transferir a dívida restante para sua campanha ao Senado e continuar levantando verbas para saldá-la.   Não há tecnicamente nenhum prazo para Hillary pagar seus credores, mas por conta de uma cláusula na campanha de McCain, que pretendia limitar a habilidade dos candidatos ao financiamento pessoal da disputa, a senadora precisa recuperar o dinheiro que emprestou até a Convenção de agosto. Depois disso, ela só pode receber US$ 250 mil   Hillary ainda pode reduzir a dívida renegociando com seus credores, mas a Comissão Eleitoral teria que autorizar a transação, para garantir que um esforço de boa fé abatesse a dívida. Algumas das maiores contas de Hillary são com seus conselheiros mais próximos, que estariam dispostos a reduzir o negócio. Por exemplo, a senadora deve cerca de US$ 5 milhões para a empresa do seu ex-estrategista de campanha Mark Penn.

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