AP Photo/Rogelio V. Solis)
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Trump ironiza mulher que acusa juiz indicado por ele à Suprema Corte de assédio sexual

Presidente americano usou comício no Mississippi para inflamar multidão contra a professora Christine Ford, e zombou do fato de ela não se lembrar de detalhes da noite em que diz ter sido assediada

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 04h33

SOUTHAVEN - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inflamou uma multidão em um comício no Mississippi na terça-feira 2 ao zombar da professora e doutora Christine Blasey Ford, que acusa o juiz indicado à Suprema Corte pelo presidente, Brett Kavanaugh, de assédio sexual. A plateia riu enquanto Trump listava o que chamou de falhas no testemunho de Christine à Comissão de Justiça do Senado.

Ela afirmou que Kavanaugh a prendeu em uma cama, tentou tirar suas roupas e cobriu sua boca quando ela tentou gritar. O abuso teria acontecido nos anos 1980, quando os dois eram adolescentes. Kavanaugh nega as alegações de Christine.

"Como você chegou em casa? Eu não me lembro", disse Trump. "Como você chegou lá? Eu não me lembro", ''Onde era o lugar? Eu não me lembro", "Quantos anos atrás foi isso? Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei.", afirmava o presidente, imitando Christine. Trump encerrou as ironias repetindo outra parte do depoimento de Christine: "Mas eu tomei uma cerveja. Essa é a única coisa da qual me lembro."

O comício marcou a crítica mais dura de Trump à professora desde que ela se apresentou publicamente com a alegação, no mês passado. Anteriormente, Trump havia dito que ela era uma "testemunha muito confiável".

Meio de mandato

O presidente esteve no Mississippi para tentar usar sua imagem para influenciar o resultado de uma eleição que pode alterar a balança de poderes no Senado. Enquanto republicanos têm enfrentado obstáculos antes das eleições parlamentares de 6 de novembro, Trump tenta reunir seus partidários ao redor da senadora Cindy Hyde-Smith, escolhida para ocupar a vaga de Thad Cochran, que se aposentou em abril.

Ela enfrenta três candidatos - o republicano Chris McDaniel e os democratas Mike Espy e Tobey Bernard Bartee. A eleição de meio de mandato marca dois anos da administração Trump. "Ela sempre me apoiou, sempre apoiou vocês. E um voto para Cindy é um voto para mim.", disse.

No entanto, o presidente passou a maior parte do comício lamentando o tratamento recebido por Kavanaugh dos democratas. Segundo ele, o juiz foi alvo de ataques que afetaram sua família. "A vida de um homem está em farrapos", disse, acrescentando que os democratas são "pessoas realmente más".

Nesta quarta-feira, 3, Trump voltou a criticar os democratas pelo Twitter. "Vejo toda vez que vou a um comício para ajudar os ótimos candidatos republicanos: eleitores estão com raiva da viciosa e desprezível maneira como os democratas tratam Brett Kavanaugh. Ele a sua maravilhosa família merecem muito mais".

Alguns republicanos e aliados da Casa Branca sugeriram que as alegações contra Kavanaugh podem ser um recurso político poderoso na corrida para as eleições, animando os eleitores do Partido Republicano, que até o momento não se demonstraram tão motivados para comparecer às urnas quanto os democratas.

Christine Ford declarou na semana passada estar completamente segura que Kavanaugh tentou estuprá-la no verão de 1982. Sua denúncia fez com que o FBI reabrisse sua investigação sobre Kavanaugh antes que o Senado confirme seu nome para o posto vitalício na Suprema Corte, para o qual foi indicado por Trump.

Além de Christine, pelo menos outras duas mulheres denunciaram o juiz por abusos sexuais e pessoas conhecidas de Kavanaugh também afirmaram que ele não estava sendo verdadeiro nas suas declarações. /AP e EFE

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