Em anúncio milionário de meia hora, Obama não cita McCain

Democrata monopoliza mídia na reta final; comercial foi transmitido simultaneamente em sete canais de TV

Agências internacionais,

30 de outubro de 2008 | 07h42

 A campanha do candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, transmitiu na noite de quarta-feira, 29, um anúncio de meia hora de duração em sete canais de televisão dos EUA. Segundo a BBC, durante a transmissão, não houve nenhuma menção ao rival de Obama, o republicano John McCain, ou ao Partido Republicano.  Veja também:Enquete: Você votaria em McCain ou Obama? Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA Obama disparou a maior artilharia midiática de sua campanha nos principais canais de TV dos EUA, entre eles CBS, Fox e NBC para dizer aos eleitores que pode restaurar o sonho americano. Com um custo de cerca de US$ 1 milhão para ser transmitido em cada canal, o comercial também foi veiculado em espanhol pela emissora Univision. A cuidadosa produção apresentou famílias comuns lutando para atingir seus objetivos e a promessa de Obama de reerguer a economia para o americano médio. De um escritório no estilo do gabinete presidencial, o senador democrata disse aos telespectadores que a eleição da próxima terça-feira será um "momento decisivo". Ele afirmou que o pleito representa a chance de os líderes do país "atenderem às exigências desses tempos desafiadores e preservar a confiança" do povo americano.  Foram mostradas também imagens de Obama em campanha e em discursos falando sobre suas propostas e seu passado. Apenas uma grande emissora de TV aberta não aceitou transmitir o anúncio, a ABC. Já a Fox deixou de transmitir o programa que antecederia um jogo de beisebol para acomodar o anúncio de Obama. "Não serei o presidente perfeito. Mas posso prometer que sempre falarei a vocês sobre o que eu penso e o que apóio", diz Obama no anúncio. A transmissão terminou com Obama falando ao vivo de um comício na Flórida, onde ele pediu que seus apoiadores continuem a fazer campanha nos últimos dias antes das eleições de terça-feira. "Vimos nos últimos oito anos como as decisões de um presidente podem influenciar o curso da história e a vida dos americanos", disse Obama. "Mas em todos os lugares aonde vou, a despeito da crise econômica, da guerra e da incerteza sobre o amanhã, ainda vejo otimismo. E esperança. E força". O programa tratou dos grandes temas da campanha, como saúde, educação e emprego, intercalados pelas histórias de famílias americanas em dificuldades e entrevistas com familiares e colegas de Obama. Ele falou sobre como sua mãe morreu jovem, de câncer. "Sei o que é ver um ente querido sofrer, não apenas por estar doente, mas também por causa de um sistema de saúde quebrado", declarou. Obama também se comprometeu a proteger os EUA e ao mesmo tempo encerrar a guerra no Iraque. "Não serei um presidente perfeito, mas prometo que sempre direi a vocês o que penso", afirmou.  Bill Clinton O antigo e o novo líder do Partido Democrata, Bill Clinton e Barack Obama, juntaram forças numa convocação para a mudança política, a seis dias da eleição presidencial dos EUA. Na primeira vez em que apareceram juntos num evento de campanha, Clinton e Obama discursaram para cerca de 35 mil pessoas perto de Orlando, na Flórida. O ex-presidente disse que Obama representa o futuro do país e exortou a multidão a derrotar o republicano John McCain. "A campanha presidencial é a maior entrevista de emprego do mundo", comparou Clinton. "E, na terça-feira, vocês terão que fazer a contratação." Clinton já havia afastado qualquer ressentimento pela derrota de sua esposa, Hillary Clinton, quando deu sua primeira manifestação de apoio a Obama, na convenção democrata, em agosto. Ele também comparou a prosperidade da época do seu mandato na Casa Branca, nos anos 90, à crise econômica na qual o país se encontra atualmente. O ex-presidente disse ainda que Obama, confrontado com a crise, voltou-se para seus próprios assessores, incluindo executivos da era Clinton, ao invés de fazer escolhas eleitoreiras. "Isso é o que um presidente faz numa crise: o que é certo para os EUA", discursou. Clinton criticou o candidato republicano John McCain por dizer que a política tributária de Obama é uma redistribuição quase socialista. Sob o governo George W. Bush, afirmou Clinton, os republicanos presidiram "a maior redistribuição de riqueza no andar de cima desde os anos 20 e todos nós sabemos como isso terminou". "O que o senador Barack Obama tem é um plano que funciona de baixo para cima", disse Clinton. "Nós fizemos mais milionários e bilionários do que eles... Porque a renda da classe média estava aumentando e é isso que Barack Obama fará de novo", acrescentou Obama, por sua vez, elogiou o ex-presidente como um "gênio político" e enalteceu Hillary Clinton. "Quando ouvimos Bill Clinton, lembramos de que é ter um presidente que é apaixonado, que é esperto...Que tem energia, que tem visão", elogiou. "Começamos a sentir saudades dos 28 milhões de novos empregos, de um superávit orçamentário e de uma economia que funcionava para todo mundo."  Republicanos McCain menosprezou a investida de Obama na mídia e reforçou os ataques pessoais ao concorrente, concentrando-se nas ligações entre o passado do senador democrata e o esquerdista radical Bill Ayers. O republicano também desafiou Obama a "mostrar o que vai fazer para proteger os EUA dos terroristas". Ainda na noite da quarta-feira, McCain procurou contra-atacar a campanha de Obama na TV com uma aparição no talk-show "Larry King Live", da CNN.  Antes, em um comício na cidade de Tampa, na Flórida, o rival de Obama, o senador republicano John McCain, lançou ataques sobre as credenciais do democrata em segurança nacional. McCain afirmou que Obama não tem qualificações suficientes para ser o "comandante" dos Estados Unidos. "A questão é se este homem tem o que é necessário para proteger os Estados Unidos de Osama Bin Laden, da Al-Qaeda e de todas as ameaças do mundo", disse. Em outro evento em Miami, McCain atacou as propostas tributárias de Obama. "Esta é a principal diferença entre nós. Ele acha que os impostos estão muito baixos, e eu acho que os gastos (do governo) estão altos".

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