Em Berlim, Obama pede união com a Europa

Discursando para 200 mil, candidato democrata faz referência ao pronunciamento de Kennedy em 1963

Agências internacionais,

24 de julho de 2008 | 14h46

Discursando para uma multidão em Berlim, o candidato democrata à Presidência americana Barack Obama pedia nesta quinta-feira, 24, que os europeus e os americanos trabalhassem juntos para "vencer o terror e drenar o poço de extremismo que o apóia". O senador por Illinois falou em um parque próximo ao antigo muro de Berlim, que dividia a cidade alemã no tempo da Guerra Fria. Ele se apresentou como um "orgulhoso cidadão americano e um cidadão do mundo", segundo a rede CNN.      Veja também:Em Berlim, Obama fala de guerra e economia McCain almoça em restaurante alemãoObama x McCain Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA Imagens da viagem de Obama Vídeo do discurso (em inglês)  A introdução de Obama faz eco a outro famoso discurso de um líder americano em Berlim. Em 26 de junho de 1963, no auge da Guerra Fria, o presidente John Kennedy fez um discurso na cidade onde proferiu a famosa frase "Ich bin ein Berliner" - Eu sou um berlinense (leia mais abaixo). Segundo a polícia berlinense, mais 200 mil pessoas assistiram ao pronunciamento de cerca de 25 minutos. "Quando vocês, povo alemão, derrubaram o muro - um muro que dividia o ocidente do oriente, a liberdade da tirania, o medo da esperança -, outros muros ao redor do mundo também caíram", disse o presidenciável, referindo-se a antiga divisão de Berlim. "De Kiev a Cidade do Cabo, campos de prisioneiros foram fechados, e as portas da democracia foram abertas." Obama afirmou também que os "muros" entre cristão, muçulmanos e judeus não podem continuar. Ainda sobre o Oriente Médio, o candidato disse que agora é o momento certo para ajudar os iraquianos a reconstruírem suas vidas e terminar a guerra.  "O maior perigo de todos é permitir que novos muros nos dividam. Agora é tempo de construirmos novas pontes ao redor do mundo", continuou. Em outra referência a Guerra Fria, ele pediu o fim da "mentalidade" do antigo conflito para trabalhar com a Rússia. "Uma nova geração, a nossa geração, deve deixar uma marca na história", completou. O candidato citou ainda a situação em Darfur, no Sudão, onde cerca de 300 mil pessoas morreram em conseqüência de conflitos e da fome. "O genocídio em Darfur envergonha nossas consciências", disse.  Desafios Ao apelar por uma parceria renovada entre Estados Unidos e Europa, Obama apontou o terrorismo, proliferação nuclear, drogas e mudança climática como desafios globais. "Enquanto o século 20 nos ensinou que nós dividimos um destino comum, o século 21 revelou um mundo mais interligado do que em qualquer outra época da história da humanidade", disse o democrata.  "Na Europa, a visão de que os Estados Unidos é parte do que deu errado no nosso mundo, em vez de uma força para ajudá-lo a dar certo, tornou-se muito comum". "Nos Estados Unidos, há vozes que zombam e negam a importância do papel da Europa na nossa segurança e no nosso futuro", disse.  "Mas as responsabilidades da cidadania global continuam a nos unir", continuou o candidato. "Neste novo século, americanos e europeus serão chamados a fazer mais, não menos", avalia. Sobre o impasse nuclear iraniano, Obama declarou que os EUA e a Europa tem que trabalhar juntos para pedir ao Irã que "abandone suas ambições nucleares" e insistiu que na luta contra o Taleban no Afeganistão. A visita do senador democrata à Alemanha é parte de uma excursão mundial designada para reforçar suas credenciais em política externa como candidato à Casa Branca. Ele já esteve na Jordânia, no Iraque e no Afeganistão.  Antes do discurso, o candidato se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com outros políticos. Nesta sexta-feira, Obama chega à França, e no sábado deverá visitar o Reino Unido. Discurso histórico Foto: EfeEm 26 de junho 1963, o então presidente americano John F. Kennedy discursou próximo ao muro de Berlim diante de 120 mil pessoas. Na época, a Alemanha dividida entre a parte ocidental (capitalista) e oriental (socialista) era um dos focos de tensão da Guerra Fria, entre EUA e URSS.  "Todos os homens livres, onde quer que eles morem, são cidadãos de Berlim. Como um homem livre, eu tenho orgulho nessas palavras, eu sou um berlinense".  O pronunciamento de Kennedy se tornou um símbolo de liberdade em um mundo que vivia sob a ameaça do confronto entre as duas maiores potências da época. Também em Berlim, outro presidente dos EUA proferiu um discurso histórico. Em 12 de junho de 1987, o republicano Ronald Reagan, em frente ao portão de Brandenburgo, desafiou o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, com uma frase célebre: "Derrube este muro", referindo-se ao muro que separava a Alemanha Ocidental e a Oriental.   (Matéria ampliada às 17h30) (Com AP, Reuters, Efe e BBC Brasil)  

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