Em debate, eleitores cobram Obama e McCain sobre crise

Economia e política externa dominam 2.º confronto entre candidatos; assuntos internos ganham pouco espaço

Da Redação, com agências internacionais,

07 de outubro de 2008 | 23h47

A menos de um mês das eleições americanas, Barack Obama e John McCain voltaram a se enfrentar nesta terça-feira, 7, em Nashville. Questionados por 80 eleitores indecisos, a discussão voltou ao inevitável foco da crise econômica e mostrou o claro esforço dos candidatos à Casa Branca pelo voto da classe média. As questões de política externa, discutidos no primeiro debate, também foram comentadas e dividiram os presidenciáveis. Os assuntos internos - como saúde e educação - não tiveram grande espaço na discussão.    Veja também: Pesquisas apontam Obama como vencedor do debateComo foi o debate e imagens no blog  Galeria de fotos do debate Em dia de debate, Obama lidera em pesquisaObama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA  Foto: Reuters  No primeiro bloco, os eleitores quiseram saber como o democrata Obama e o republicano McCain enfrentariam de maneira rápida a crise. "Temos que garantir que o pacote aprovado na semana passada funcione bem. A classe média precisa de um pacote, com corte de impostos. Vocês precisam de algo que trabalhe para vocês", declarou o democrata.  Na mesma linha, o republicano defendeu o corte de impostos. "Minha proposta não é a de Obama, não é a de Bush", afirmou. "Não confiamos nas instituições pela corrupção de Washington", continuou ele, lembrando que diante da crise, suspendeu sua campanha e voltou à capital americana. McCain afirmou "o segredo de Obama que você não sabe" é que ele aumentará os impostos para as pequenas empresas, levando a um corte de empregos. O democrata contra-atacou: "eu cortarei os impostos para 95% dos americanos. Vamos deixar claro o meu plano de impostos e o de McCain." Sobre a crise imobiliária, McCain disse que dará autoridade ao Departamento do Tesouro dos EUA para comprar dívidas de mutuários e renegociar individualmente hipotecas, uma proposta para ajudar famílias em dificuldades.  Já Obama disse que a atual crise econômica é o "veredicto final das políticas econômicas falidas" do presidente George W. Bush e que a crise financeira é a pior desde a Grande Depressão, que se seguiu à quebra da Bolsa de Nova York em 1929.  Acusações As acusações pessoais entre os dois candidatos, que não foram tão presentes no primeiro debate, há duas semanas, ganharam força no confronto desta terça. McCain, que dependia de um bom desempenho na discussão para barrar o avanço de Obama nas pesquisas, foi mais agressivo. "O senador Obama foi o segundo político a receber mais doações dos bancos Fannie Mae e Freddie Mac", disse o republicano, referindo-se aos dois bancos que quase quebraram por má administração na concessão dos empréstimos subprime. Em resposta, Obama lembrou que um dos conselheiros econômicos de McCain trabalhou no Freddie Mac. Política externa McCain reforçou a inexperiência de Obama para o cargo de comandante-em-chefe. "Não temos tempo de treinamento", destacou. O "desafio" de um presidente, continuou, "é saber quando usar ou não" a força militar. Obama emendou: "tem coisas que eu não entendo. Veja como terminamos a invasão de um país que não tinha nada a ver com o 11 de setembro enquanto Osama Bin Laden está formando campos para nos atacar", referindo-se à invasão do Iraque.  Ele lembrou que o rival apoiou Bush, dizendo que a invasão seria rápida e fácil. "Foi um julgamento errado. Estamos mandando US$ 10 bilhões mensais ao Iraque. Precisamos de US$ 10 bilhões por mês aqui nos Estados Unidos, para pôr as pessoas de volta ao trabalho", atacou o democrata. Ambos concordaram em aumentar o número de tropas no país da Ásia Central para enfrentar o Taleban e a rede terrorista Al-Qaeda, embora tenham discordado de novo sobre o Paquistão. "Teremos que trabalhar com o governo de Karzai [o presidente afegão, Hamid]. Mas o governo afegão precisa ser responsável com o seu próprio povo", disse Obama. "O senador Obama está certo quando diz que é preciso aumentar o número de soldados (no Afeganistão)", disse McCain. Um pouco antes, ele havia acusado o democrata de querer atacar o Paquistão, um aliado dos EUA.  Obama cobrou uma postura mais firme sobre o governo paquistanês, para forçá-lo a lutar com mais empenho contra a Al-Qaeda e o Taleban. Mas negou ter proposto um ataque. "O que questiono é se o Paquistão é capaz ou não de caçar Bin Laden. O senador McCain é o cara que diz: 'bombardeiem o Irã", completou. Gabinete Ambos os candidatos manifestaram suas preferências sobre quem gostariam que fosse o próximo secretário do Tesouro. McCain, se eleito, disse que gostaria de ver a ex executiva-chefe da eBay, Meg Whitman, no cargo.  Por sua vez, Obama afirmou que o investidor Warren Buffett seria "uma ótima escolha" para o cargo, mas disse que existem outros nomes. "A chave da solução do problema é tornar seguro que o próximo secretário do Tesouro entenda que ajudar apenas aqueles que estão no topo do sistema não é o suficiente", afirmou. Táticas Segundo o jornal The New York Times, Obama passou cerca de dois dias na Carolina do Norte nesta semana se preparando para o evento. Seus assessores revelaram que ele treinou principalmente como se portar no palco do debate - cada candidato contou com uma área delimitada para circular - e reforçar a comunicação não-verbal (linguagem corporal, expressões faciais e entonação) com a audiência e com as câmaras. O estilo de debate "town hall meeting" (encontro na prefeitura), de formato menos rígido e com perguntas feitas pela platéia, foi usado pela primeira vez nas eleições de 1992, quando o democrata Bill Clinton enfrentava George H. W. Bush (pai do atual presidente) na disputa pela Casa Branca.  O próximo debate entre os candidatos acontece no dia 15 de outubro, em Hempstead, Nova York. Será o último encontro de Obama e McCain antes das eleições de 4 de novembro. (Com André Lachini, da Agência Estado) 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.