Em Denver, Obama tem o desafio de repetir sucesso de 2004

Discurso comovente do senador na última Convenção Democrata lhe rendeu posição de destaque na política

Efe,

27 de agosto de 2008 | 17h48

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, conclui nesta quarta-feira, 27, o discurso que fará na quinta diante de 75 mil simpatizantes, em meio a dúvidas sobre se ele será capaz de repetir a mensagem vibrante e comovente transmitida na Convenção Democrata de 2004. Veja também:Bill Clinton discursa em apoio a ObamaEleger Obama é a missão democrata, diz Hillary Galeria de fotos da Convenção Obama x McCainConheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Quando Obama tomar a palavra no estádio Invesco Field para aceitar a candidatura democrata, os eleitores lembrarão que, há apenas quatro anos, um político quase desconhecido de Illinois fez um discurso eletrizante que o acabou alçando a uma posição de destaque na política nacional. Passados estes quatro anos, o senador se transformou na aposta democrata para chegar à Casa Branca, com uma mensagem de mudança e unidade que, no fundo, mantém a essência daquele discurso. No momento em que o país estava dividido pela Guerra do Iraque, Obama falou em tom quase evangélico da necessidade de se estar unidos, de se esquecer as diferenças e avançar rumo ao futuro. "Eu lhes digo esta noite que não há um Estados Unidos liberal e outro conservador. Há um Estados Unidos da América. Não há um Estados Unidos negro, outro branco, outro asiático e outro latino. Há um Estados Unidos da América", afirmou Obama na ocasião. "E quero lhes dizer que nos Estados liberais, também cultuamos um Deus maravilhoso. E sim, nos Estados conservadores, temos amigos homossexuais", disse o candidato democrata, tentando enviar uma mensagem contra a divisão e a favor da unidade. Estas frases já ficaram no inconsciente coletivo daqueles que viram a carreira de Obama, de 47 anos, muitos dos quais desejam ver amanhã um discurso igualmente comovente. "Barack Obama enfrenta agora um problema. É que se criou uma expectativa muito grande sobre seu discurso de amanhã", explicou à Agência Efe Elizabeth Skewes, professora de jornalismo e comunicação da Universidade do Colorado. Em parte, as expectativas aumentaram devido à decisão da campanha democrata de convocar 75 mil pessoas para ouvir o senador por Illinois em um grande estádio, justo no dia em que se completa o 45º aniversário do famoso discurso de Martin Luther King. "O discurso de 2004 foi grandioso precisamente porque foi inesperado. Mas o de amanhã acho será diferente, porque não poderá falar tanto de ideais, mas de assuntos concretos e específicos de âmbito doméstico. Afinal de contas, é um candidato à Casa Branca que está em campanha", acrescentou. Para a especialista, Obama enfrenta ainda o problema de que, com seu discurso, deve chegar a um bloco muito heterogêneo de eleitores: os que simpatizam com ele e os que gostam de Hillary Clinton, os indecisos e os que pensam em votar no republicano John McCain. "Definitivamente, não será um discurso tão retórico como o de 2004, embora Obama seja um político inteligente e com talento, e seguro de que conseguirá comover o público", destacou Skewes. Expectativa O próprio Barack Obama tem consciência de que será difícil satisfazer as expectativas de seus seguidores. Na última segunda-feira, desde Iowa, ele afirmou que seu discurso deste ano será "muito mais específico". "Não vai haver grande retórica. Agora estou muito mais preocupado em comunicar como vou tentar ajudar as famílias de classe média a viver sem dificuldades", afirmou. Desde o começo da campanha eleitoral, muitos analistas observam que o candidato democrata retórico e idealista não esteve tão presente como seus simpatizantes desejavam. A isso contribuiu o fato de que seus opositores, especialmente Hillary Clinton durante as primárias e John McCain agora, denunciaram que a retórica de Obama esconde sua inexperiência e sua inocência. Por isso, explicam os analistas, o senador deverá combinar a retórica idealista com os assuntos concretos que preocupam aos eleitores.  A situação do senador na quinta será bem distinta em comparação a 2004, quando, consciente de que era um político quase desconhecido, se apresentou como "um tipo magro, com um nome divertido, que acredita que os EUA também têm um lugar para ele". Na época, poucos podiam imaginar que o destino reservado para ele seria concorrer à Casa Branca. 

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