Em desvantagem, McCain aposta em vitória na Pensilvânia

Entre os Estados que pendem para Obama, região é a única onde candidato republicano ainda ataca

Agências internacionais,

28 de outubro de 2008 | 15h39

Em desvantagem nas pesquisas a sete dias das eleições, o candidato republicano à Casa Branca, John McCain aposta suas fichas na Pensilvânia. Entre os Estados que pendem para o democrata Barack Obama, a região é a única onde o republicano ainda ataca. As duas campanhas se encontram nesta terça-feira, 28, neste Estado industrial, onde Obama conta com dois pontos de vantagem em algumas pesquisas.  Reforçando seu ataques, o republicano vem se referindo ao rival como "o candidato mais liberal que já concorreu à Presidência". McCain, que também fez campanha na Pensilvânia na segunda investe ao lado de sua vice, Sarah Palin, em cidades conservadoras como Hershey e Quakertown. Depois, eles devem se separar - McCain segue para a Carolina do Norte, outro Estado altamente disputado, e Palin continua na Pensilvânia. Veja também:Plano para morte de Obama choca cidade de jovem acusadoObama mantém vantagem sobre McCain na reta finalEnquete: Você votaria em McCain ou Obama? Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain Entenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA "Se for eleito, lutarei para sacudir Washington", declarou McCain em um comício no Estado. "Não tenho medo da luta, estamos prontos", continuou. O senador pelo Arizona acusou Obama de ser liberal nos gastos e impostos e alertou para o risco dos democratas conquistarem a Casa Branca e a maioria no Congresso. "Senador Obama concorre para punir aqueles que tiveram sucesso. Estou concorrendo para todos terem sucesso", afirmou. Na reta final da disputa de 4 de novembro, McCain se esforça para vencer em Estados que tradicionalmente apoiavam os candidatos republicanos e agora se inclinam para a candidatura democrata.  À frente em várias sondagens, Obama mira principalmente em Estados que se inclinam para o republicano. Mas essa visita a Pensilvânia marcou a primeira vez em mais de uma semana em que ele se incomodou em visitar um Estado onde seu colega democrata John Karry venceu há quatro anos. O democrata voltou a dizer nesta segunda na Pensilvânia que recortará os impostos para "95% dos trabalhadores e suas famílias". Obama voltou também a vincular McCain com as políticas fracassadas do atual e impopular presidente americano, George W. Bush. "Meu rival está tentando se distanciar do presidente que o apoiou em 90% das vezes", disse Obama. Em meio à troca de acusações sobre economia, que nesta reta final parece dominar os discursos dos candidatos, a mídia americana fala de uma certa tensão nas fileiras republicanas. A rede de televisão ABC faz referência em seu site à existência de divisões na "desmoralizada" campanha de McCain. Segundo a rede de TV americana, muitos dos empregados da campanha já começaram a enviar seus currículos e a buscar fatos que justifiquem o enfraquecimento da campanha. Vantagem democrata Segundo o The Wall Street Journal, o democrata tem praticamente assegurados 259 dos 270 votos do colégio eleitoral necessários para levá-lo à Presidência no próximo dia 4 de novembro. Vitórias em estados como Ohio e Virgínia permitiriam a Obama carimbar a passagem para a Casa Branca.  O sistema eleitoral americano dá um número de votos a cada estado em função de seu tamanho e população, o que acaba sendo decisivo no Colégio Eleitoral, órgão que finalmente elege o presidente dos EUA. Com pouquíssimas exceções, quem vence em um Estado leva todos os votos e, para conseguir a Presidência, é necessária a maioria simples dos 538 totais do Colégio Eleitoral, ou seja, 270. Grande parte da imprensa coloca Obama a um passo dos 270 ou até acima da marca, caso se incluam os estados que não são solidamente democratas, mas que se inclinam claramente pelo senador. Entre eles, figuram os já citados Ohio e Virgínia, e também Colorado e Novo México. Alerta Uma inversão de papéis se deu na reta final da campanha presidencial americana. Neste ano, integrantes do Partido Republicano é que estão na ofensiva advertindo para o risco de fraude eleitoral. Ainda hoje há muitos democratas que acusam o presidente George W. Bush de ter chegado à Casa Branca há oito anos graças a irregularidades praticadas na eleição na Flórida, vencida por Bush por apenas 537 votos.  O secretário de Estado de Indiana, Todd Rokita, um republicano, jogou mais lenha na fogueira, ao dizer que tem provas de que a organização comunitária Acorn cometeu ''uma série de atos criminosos'', ao supostamente realizar falsos registros de eleitores no Estado. De acordo com Rokita, dos 1.438 registros eleitorais realizados pela Acorn no Estado, um total de 61% contariam com irregularidades.  No último debate presidencial, McCain havia dito que a Acorn ''talvez tenha cometido uma das maiores fraudes eleitorais na história deste país, talvez até destruindo a própria estrutura da democracia". Entre os registros realizados em todos os Estados Unidos pela Acorn, constavam alguns com o nome ''Mickey Mouse'', bem como a escalação do time de futebol americano Dallas Cowboys. A organização também teria registrado a mesma pessoa centenas de vezes.  A Acorn se defendeu das acusações dizendo que estava apenas seguindo a lei que a obriga a apresentar registros eleitorais e que a entidade assinalou todos os formulários que julgava fraudulentos. Segundo a organização, as ações de Rokita representam ''um ataque infeliz e tendencioso que visa limitar o registro eleitoral de minorias.'' (Com BBC Brasil)

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