Equilíbrio em debate democrata marca derrota de Hillary

Em último encontro antes de prévias decisivas de terça, pré-candidatos discutem Nafta e programas de saúde

Agências internacionais,

27 de fevereiro de 2008 | 02h24

Os senadores Barack Obama e Hillary Clinton fizeram na noite de terça-feira, 26, em Ohio, o último debate antes das primárias cruciais de terça-feira. Assim como aconteceu no debate da semana passada, no Texas, o encontro entre os dois democratas foi equilibrado, embora a ex-primeira-dama tenha um pouco mais agressiva.  Veja também:Ex-amante leiloará conversas com Bill ClintonEx-pré-candidato apóia ObamaObama tem mais chances de derrotar McCainFoto de Obama com trajes somalis esquenta disputa democrataConfira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Precisando marcar pontos no combate contra Obama, Hillary partiu para cima do rival, repetindo as acusações de que o senador realiza uma campanha suja, distribuindo falsas informações para os eleitores do Estado. Obama respondeu, dizendo que os métodos dele não eram diferentes dos usados por ela. Durante a primeira hora do debate, foi o momento mais tenso da noite. Quando o assunto foi o sistema de saúde americano, Obama e Hillary voltaram a discordar. "O senador Obama repete constantemente que eu irei obrigar as pessoas a adquirir plano de saúde", reclamou Hillary. "Isso não é verdade." "Hillary insiste em dizer que meu programa de saúde pública deixaria 15 milhões de americanos sem cobertura", respondeu Obama. "E isso também não é verdade." Em seguida, ao falar sobre política externa e Nafta - tratado de livre-comércio entre EUA, Canadá e México -, os dois concordaram em forçar, caso eleitos, os parceiros a renegociar o acordo. "Se não houver negociação, poderemos denunciar o tratado", disse Hillary. "Deveríamos usar a possibilidade de nos retirarmos do acordo como uma mecanismo de pressão para fazer com que nossos vizinhos aceitem renegociar o Nafta", disse Obama. Para muitos analistas, no entanto, o fato de o debate não ter proporcionado um claro vencedor, significa uma derrota para Hillary, já que Obama venceu as últimas 11 primárias e continua avançando nas pesquisas, tanto em Ohio quanto no Texas, Estados onde a senadora considera fundamental vencer para continuar na disputa.  Segundo o jornal The Washington Post, na segunda-feira, durante um café da manhã com a imprensa, Harold Ickes, conselheiro de campanha de Hillary, afirmou: "Acho que, se perdermos no Texas e em Ohio, a senhora Clinton terá de tomar a decisão se continua ou não (na campanha)." O debate teve início com a exibição de um clipe que mostrava o último debate entre os dois, no qual Hillary se dizia orgulhosa de estar ao lado de Obama. Em seguida, a emissora mostrou uma aparição da senadora feita dias depois, no qual demonstrava irritação e concluía dizendo: "Me encontre em Ohio, vamos ter um debate".  Trajes Somalis Nas últimas semanas, as campanhas de Hillary e Obama promoveram algumas das mais pesadas trocas de acusações que já mantiveram desde o início da corrida presidencial. Tanto Hillary quanto Obama tiveram de responder a perguntas relativas àquela que foi a polêmica da semana, a divulgação de uma foto de 2006 que mostrava o senador Obama em trajes típicos somalis e trajando um turbante. A campanha do senador acusou os ativistas de Hillary de estarem por trás do vazamento do e-mail.  Hillary disse não ter qualquer conhecimento sobre o vazamento ter se dado por seus militantes. "Que eu saiba, não. Não é o tipo de comportamento que eu aprovo ou espero de alguém da minha campanha", afirmou Hillary. Obama, quer por estar seguro de um bom resultado no próximo dia 4, quer por altivez ou mesmo por querer evitar o tema, limitou-se a responder: "Eu acredito na palavra da senadora a respeito da foto, então coloquemos isso de lado".

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