Escândalo sobre caso com lobista abala campanha de McCain

Equipe deve lidar com denúncia do NYT de romance e favorecimento; pré-candidato nega envolvimento

Agências internacionais,

21 de fevereiro de 2008 | 08h51

O site do jornal New York Times colocou no ar na noite de quarta-feira, 20, um escândalo que pode afetar a candidatura do senador republicano John McCain. Segundo o Times, McCain teve um caso com a lobista Vicki Iseman durante sua candidatura à Casa Branca, em 2000. Nesta quinta, o senador afirmou que não deixará que uma campanha difamatória o atrapalhe na corrida presidencial.   Veja também:Denúncia sobre relação com lobista é 'difamação', diz McCain Obama arrecada o triplo que McCain para campanha em janeiro Hillary tenta tirar credibilidade de Obama em debate Guterman: Hillary acabou? Pense de novo Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    A história era conhecida nos bastidores do partido. Na época, os dois apareciam juntos em eventos para arrecadação de fundos de campanha e viajavam juntos em jatinhos de outros lobistas.  Há oito anos, quando John McCain participou pela primeira vez das prévias presidenciais republicanas, uma lobista marcava presença constante em seu escritório, levando seus assessores a temer que existisse uma relação romântica entre ambos. A campanha do senador pelo Arizona reagiu energicamente para rejeitar a "sugestão de um romance", e qualificou a história divulgada pelo jornal como "vergonhosa".   De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, que pediram para não serem identificadas, a relação começou a ficar perigosa quando McCain começou a escrever cartas para agências reguladoras em nome dos clientes de Vicki. O Times afirma que nos anos em que McCain comandou a Comitê de Comércio do Senado americano, Vicki defendeu interesse de Lowell "Bud" Paxson, o cabeça de uma empresa de comunicação, a Paxson Communications, hoje Ion Media Networks. Ela estaria envolvida em uma campanha pela bem-sucedida negociação entre McCain e outros membros do Congresso ao enviar cartas para a Comissão Federal de Comunicações, responsável pela vigilância do setor, em favor de Paxson. Em 1999, McCain escreveu duas vezes para a Comissão pedindo a aprovação da venda de uma emissora de televisão.   Temendo pela carreira política do senador, seus assessores realizaram uma operação de choque para afastar o casal: bloquearam completamente o acesso que ela tinha a McCain e, por várias vezes, tiveram de falar grosso com o próprio senador.   McCain e Vicki negam qualquer envolvimento romântico. "São duas questões. A primeira é o caso extraconjugal, que pode ou não ser um problema. A segunda é saber se ele usou do cargo de senador para atender lobistas. Isso seria um problema", disse David Bergen, analista político, à rede CNN.   "O problema é que nós estamos tratando aqui do Partido Republicano, extremamente conservador", disse a analista republicana Bay Buchanan. "Isso pode acabar virando um escândalo e prejudicar a candidatura dele."   A campanha de McCain divulgou um comunicado, atacando o New York Times. "É uma pena que o New York Times tenha baixado o nível e se engajado em uma campanha suja", disse a nota. "John McCain tem 24 anos de serviços prestados ao país, nunca violou a confiança do público e nunca prestou favores a lobistas."   Segundo o diário, os assessores do senador temiam que até mesmo a aparência de uma relação estreita com a agente pudesse ameaçar a história de ética que definia sua identidade política. Segundo o jornal, McCain teria admitido a dois de seus assessores que havia se comportado inadequadamente, e teria prometido manter-se afastado de Vicki. O NYT revela ainda que outro assessor do senador teria se reunido com a mulher para pedir-lhe que se mantivesse afastada do senador.   McCain já praticamente assegurou a nomeação do partido, mas o escândalo pode prejudicá-lo, segundo analistas, na eleição de novembro. A reportagem deve indignar os seguidores de McCain, considerado um herói da Guerra do Vietnã e que usa a questão ética e a suposta intransigência em relação às práticas políticas de Washington como trunfos em sua campanha.   (Com The New York Times e Guardian)   Matéria atualizada às 10h55 para acréscimo de informações.

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