Escolha de vice coloca em dúvida a seleção de McCain

A gravidez precoce da filha de Palin é uma das revelações que supõem que partido não investigou a candidata

Elisabeth Bumiller, The New York Times

02 de setembro de 2008 | 12h58

Uma série de revelações sobre a governadora do Alasca, Sarah Palin, levantou a dúvida na segunda-feira, 1, sobre se John McCain tinha examinado o passado da candidata a vice antes de levar seu nome ao partido. Na manhã de segunda, Palin e seu marido, Todd, declararam que sua filha solteira de 17 anos, Bristol, estava grávida de cinco meses e pretendia casar com o pai do bebê.  Veja também:Sarah Palin enfrenta investigação no AlascaObama x McCainEntenda o processo eleitoral  Cobertura completa das eleições nos EUA  Entre outras notícias que foram menos destacadas ao longo do dia: descobriu-se que Palin possui um advogado participar para a defesa de uma investigação ética no Alasca sobre abuso de poder, pois teria demitido o comissário de segurança pública do Estado; que a governadora foi membro, por dois anos, do Partido pela Independência do Alasca, que tentou algumas vezes colocar em votação a separação do Estado; e que o marido de Palin foi preso há 22 anos por dirigir embriagado. Assessores de McCain afirmaram que contam com uma equipe no Alasca, que analisa mais a fundo o passado de Palin. Um republicano ligado à campanha disse que a equipe responsável pela investigação só chegou no Estado na quinta-feira, um dia antes do candidato surpreender o mundo com a sua escolha para vice. Apesar da campanha afirmar que McCain sabia sobre a gravidez de Bristol antes de convidar Palin para participar da chapa republicana e que ele não consideraria o fato como desqualificador, importantes oficiais foram vagos na segunda-feira quando questionados sobre como e quando ele soube da gestação, e quem teria contado. Ainda que não exista sinal de que a indicação formal de Palin esteja ameaçada, as questões que giraram em torno da governadora no primeiro dia da convenção republicana, já prejudicada pelo furacão Gustav, provocaram ansiedade entre os partidários preocupados sobre se os democratas usarão a candidata a vice para questionar o julgamento de McCain e sua habilidade em tomar decisões cruciais. Republicanos próximos da campanha afirmaram que está cada vez mais aparente que Palin foi escolhida como colega de chapa de McCain com mais pressa do que os conselheiros do candidato descreveram inicialmente. Dias antes do anúncio de McCain apresentar Palin em um comício em Dayton, Ohio, o candidato ainda mantinha a esperança de que indicaria como colega de chapa um bom amigo, o senador Joseph Lieberman, um independente de Até meados da semana passada, cerca de 48 a 72 horas antes de McCain Connecticut, afirmou um republicano da campanha. McCain também estaria interessado em outro favorito, o ex-governador da Pensilvânia Tom Ridge. Porém, os dois são favoráveis aos direitos do aborto, reprovado pelos cristãos conservadores que formam a base crucial do partido. Assim que surgiu a informação de que os dois eram cogitados, a campanha foi bombardeada pelo ultraje de conservadores influentes, que previram um confronto explosivo na convenção e prometeram rejeitar a candidatura de Ridge ou Lieberman. Correndo contra o tempo, e com as opções de vice mais seguras descartas, o governador de Minnesota, Tim Pawlenty, e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney - duas opções previsíveis demais - McCain se voltou para Palin. A primeira entrevista cara a cara com a governadora do Alasca foi feita na quinta-feira - uma semana antes do anúncio -, quando lhe ofereceu a candidatura. Os conselheiros de McCain afirmaram repetidamente que Palin foi "perfeitamente verificara", um processo que incluía a revisão de todos os seus registros legais e financeiros, assim como criminais. Um assessor afirmou que a campanha tinha conhecimento da investigação de abuso de poder, que foi analisada. "era obvio que qualquer pessoas que buscasse Sarah Palin no Google saberia que ela estava no noticiário e houve uma meticulosa verificação sobre isso e sobre sua filha". Mark Salter, um dos assessores mais próximos de McCain, afirmou que Palin foi entrevistada por Arthur B. Culvahouse Jr., um advogado veterano de Washington responsável pelo processo de verificação do vice-presidente para McCain junto com outros advogados. Salter não respondeu se Palin afirmou aos advogados que sua filha estava grávida. No Alasca, vários líderes estaduais e oficiais locais afirmaram desconhecer esforços da campanha de McCain para buscar mais informações sobre Palin antes do anúncio de sua escolha. Apesar de campanhas serem tipicamente discretas quando investigam potenciais candidatos, autoridades afirmaram que consideravam peculiar que ninguém fora do Estado teria visto o menor sinal de que a governadora era uma opção. Vários republicanos disseram que a campanha de McCain ficou em parte com suas mãos atadas em seus esforços para manter o processo seletivo tão sigiloso. "Se você realmente deseja que seja uma surpresa, o círculo de pessoas com conhecimento terá que ser pequeno, e esta é a natureza disso", contou Dan Bartlett, um ex-advogado do presidente Bush e um conselheiro em ambas as suas campanhas presidenciais. Ex-estrategistas de McCain discordaram se teria sido útil que o nome de Palin tivesse sido sugerido publicamente antes da escolha, para que as questões sobre a investigação e a gravidez de sua filha tivesses sido divulgadas e não parecessem tão novas após o anúncio.

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