Esforço de Hillary na Pensilvânia não garante sucesso

Para professor, vitória prejudica os democratas e continuidade da disputa fere cada vez mais os candidatos

Talita Eredia, do estadao.com.br,

23 de abril de 2008 | 10h50

A vitória da pré-candidata Hillary Clinton  nas prévias democratas da Pensilvânia, realizadas na terça-feira, 22, foi o pior resultado para o partido, segundo o professor Sean Purdy, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP). O especialista em política americana aponta ainda que o interesse da família Clinton é o poder, e que uma provável estratégia de Hillary seria acabar com as chances do rival e, com a eleição de John McCain, concorrer novamente à Presidência em 2012. Caso eleito, McCain estará com mais de 75 anos, o que dificultaria uma possível reeleição.   Veja também: 'A maré está mudando', diz Hillary na Pensilvânia Hillary insiste em continuar duelo contra Obama, diz NYT 'Sobrevivência' de Hillary satisfaz campanha de McCain Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  O professor Sean Purdy comenta a vitória de Hillary    Hillary venceu a disputa com 10 pontos percentuais de vantagem sobre Obama, margem suficiente para seguir na batalha pela nomeação. Porém, a vitória não representa o sucesso da candidatura da senadora, que precisaria ter alcançado uma vantagem muito maior para superar o rival. A continuidade do impasse fere ainda mais a imagem dos pré-candidatos, pois Obama e Hillary brigam entre si e o futuro representante democrata em novembro terá problemas para reconstruir sua imagem após as agressões internas. Purcy acredita ainda que Hillary, apesar de todo o esforço, não tem chances de liderar o partido nas eleições gerais de novembro, já que Obama tem número superior de delegados, votos populares e a maioria dos superdelegados devem endossar a candidatura do senador de Illinois.   Para o professor, a cisão no partido democrata beneficia ainda mais o candidato republicado virtualmente escolhido, John McCain, que já alcançou delegados suficientes para a nomeação. Obama e Hillary discutem mais sobre personalidade e não se concentram em questões importantes para o eleitorado americano, como a economia e a Guerra no Iraque, temas principais no discurso de McCain. Purcy afirma que Obama perdeu a primária na Pensilvânia justamente por não focar principalmente a questão econômica em sua campanha, fator considerado como o mais relevante para a população, segundo pesquisas.   As plataformas políticas dos partidos são semelhantes, diferenciando-se em detalhes. Por isso, o professor sugere que, em uma disputa entre Obama e McCain, a questão da personalidade, o discurso duro contra o terrorismo, contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez e as ameaças do Irã contra o Ocidente prevaleçam nas campanhas e que o discurso democrata se aproxime ainda mais do republicano. Para Purcy, Obama terá muitos problemas se não mudar o enfoque de sua campanha e não priorizar temas valorizados pelo eleitorado.   "Obama promete mudança mas não oferece mudança", diz o professor, que afirma ainda que o maior desafio do senador será criar uma candidatura que efetivamente seja uma alternativa. "Ele tem tanto apoio e empolga tanta gente porque supostamente representa uma alternativa às politicas convencionais, mas durante a campanha ele não cria uma opção".   Outro obstáculo de Obama será arrebatar o eleitorado de Hillary. Segundo pesquisas, muitos democratas preferem votar em McCain se o senador foi nomeado. Um dos principais motivos é que a rival, durante a briga interna do partido, conseguiu fixar no eleitorado a idéia de que ele não é apropriado para ser presidente, além de ter levantado muitos boatos sobre as conexões de Obama com radicais e introduzir a questão racial na campanha, justamente para evitar que o pré-candidato ganhe um apoio mais amplo da população e consiga esmagar chances de vitória.   "Temos que entender que esses candidatos estão interessados em poder, especialmente Hillary Clinton, e o argumento de que ela prefere que o McCain ganhe é convincente, para que ela possa voltar em 2012 e posteriormente ganhar a nomeação do Partido Democrata. É claro que a família Clinton se interessa mais em poder do que em qualquer outra coisa", sugere o professor.

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