Esperança em fim de bloqueio leva cubanos a apoiar Obama

Até o presidente venezuelano expressou expectativa quanto ao fim do bloqueio com a eleição do democrata

Efe

02 de novembro de 2008 | 18h19

A maioria dos cubanos prefere a vitória do democrata Barack Obama nas eleições de terça-feira, 4, nos Estados Unidos, a julgar pelo que se escuta nas ruas, onde se mostra o mesmo desejo do ex-presidente Fidel Castro, enquanto o Governo de seu irmão Raúl Castro prefere não se manifestar.   Veja também: Seria 'extraordinário' se EUA elegessem um negro, diz Lula 'Economist' declara apoio a Obama Obama amplia vantagem e tem 11 pontos sobre McCain Uma piscada que pode custar caro para Obama Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Um garçom de Havana, que pediu para que seu nome não fosse citado, deixa clara sua posição. "Obama, porque é negro e vai acabar com o bloqueio", explicou em alusão ao embargo que Washington aplica à ilha desde 1962.   "Até Fidel o prefere", acrescentou um jovem havanês que, no entanto, admitiu que não se interessa muito por política.   Obama disse que está disposto a falar com os irmãos Castro e aliviar o bloqueio a Cuba, onde os meios de comunicação dedicaram nas últimas semanas amplos espaços à reta final da corrida presidencial americana.   O convalescente Fidel Castro não disse abertamente que quer a vitória do candidato democrata, mas o elogiou em vários textos de sua coluna Reflexões.   Por outro lado, atacou o candidato republicano, John McCain, a quem acusa de ser um "instrumento da máfia", como chama seus adversários de Miami.   Alguns funcionários cubanos, no entanto, insistem nestes dias em que nada mudará nos EUA independentemente de quem vá sair vitorioso nas eleições da próxima terça-feira, 4.   O ministro da Economia cubano, José Luis Rodríguez, disse em declarações publicadas no sábado, 1, pelo jornal Granma, porta-voz do governante Partido Comunista, que tem "certeza de que não haverá uma mudança de política do Governo de Washington", qualquer que seja o presidente eleito.   O ex-ministro Armando Hart expressou em artigo no "Granma" o problema que os governantes cubanos terão se Obama vencer. "Se cumprir sua promessa (de aliviar o bloqueio), nascerá uma nova etapa no combate ideológico entre a revolução cubana e o imperialismo", afirma.   Ele acrescentou, no entanto, que "a supressão das limitações econômicas impostas às viagens a Cuba significará que cerca de um milhão de nascidos nesta terra e seus descendentes" poderão "vir como turistas" e "entrar novamente em contato" com o país e seus familiares.   Segundo Hart, Cuba tem "o imenso desafio de enfrentar um tempo novo na luta cultural contra o inimigo".   Chávez   O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez votos neste domingo, 2, para que o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, "esteja à altura da história" e acabe com o "selvagem bloqueio a Cuba" caso chegue ao Governo.   "Que um negro chegue à Presidência dos Estados Unidos não é pouco, que esteja à altura da história é outra coisa", expressou o governante durante o ato de início das obras de construção do novo aeroporto internacional de Barinas, 520 quilômetros ao sudoeste de Caracas.   "Não pedimos que ele seja socialista, só que esteja à altura do momento que o mundo vive e da esperança por um mundo em paz", destacou.   Chávez explicou que estar à altura significaria, entre outras coisas, "ouvir o mandato da ONU, que há poucos dias votou, mais uma vez, pedindo que se elimine o selvagem bloqueio a Cuba".   "Só três países votaram a favor do bloqueio, EUA, Israel e outro que não me lembro, mas os EUA (...) violam os códigos internacionais", destacou o presidente venezuelano.

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