EUA não devem desistir da paz no Oriente Médio, diz Hillary

Nova secretária de Estado é sabatinada no Senado; democrata pede 'vigoroso envolvimento' com América Latina

Agências internacionais,

13 de janeiro de 2009 | 16h41

A nova secretária de Estado americana Hillary Clinton afirmou nesta terça-feira, 13, que os Estados Unidos devem tentar melhorar seus contatos diplomáticos com a Síria e Irã, e que a ideia de que palestinos e israelenses podem viver em paz não deve ser abandonada, informou o jornal The New York Times.  A próxima chefe da diplomacia dos EUA prometeu renovar a liderança norte-americana através de um "poder inteligente" durante uma sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado, que confirma sua indicação para o cargo.  Questionada sobre o conflito em Gaza, Hillary defendeu o "direito de defesa" de Israel e disse que não irá dialogar com o Hamas. "Você não pode negociar com o Hamas até que a violência seja renunciada e Israel seja reconhecido. Essa é a minha posição e a de Obama", afirmou a nova secretária de Estado. Hillary ainda propôs retomar uma política de "vigoroso envolvimento" e "parceria com a América Latina" ao assumir a nova função. A democrata afirmou que os americanos compartilham interesses políticos, econômicos e estratégicos com os "amigos ao sul" e muitos também compartilham "laços ancestrais e culturais" com os países da região. Em relação ao Irã, apontando como um dos maiores desafios da administração Barack Obama, Hillary disse que "nenhuma opção estará fora da mesa", e que fará "tudo o que puder" para "prevenir" que o país se torne uma potência nuclear. Durante o discurso no Senado, Hillary disse também que o governo Obama quer retirar as restrições de viagens de famílias que desejam visitar seus parentes em Cuba e pediu a Havana que faça suas próprias concessões. "O presidente eleito (Barack Obama) está comprometido em retirar as restrições de viagens. Ele acredita que cubanos-americanos são os melhores embaixadores da democracia, liberdade e economia de livre mercado", afirmou Hillary.  Fundação Clinton Em suas palavras iniciais, o senador Richard Lugar, o principal republicano do comitê, elogiou Hillary, chamando-a de "epítome de uma grande confederada" que é amplamente qualificada para o trabalho, mas também levantou questões sobre os trabalhos de arrecadação de fundos do ex-presidente Bill Clinton e sua relação com o novo cargo de sua esposa. Lugar disse que a única forma de Hillary evitar um potencial conflito de interesses em razão do trabalho de caridade feito por seu marido é negar quaisquer novas contribuições do exterior. O senador disse que a situação apresenta "uma complexidade única" que requer "grande cuidado e transparência." "A Clinton Foundation existe como uma tentação para qualquer entidade ou governo estrangeiro que acredita que poderia obter favores por meio de uma doação", disse ele. "Também estabelece potenciais problemas de percepção sobre qualquer ação tomada pela secretária de Estado em relação a doadores estrangeiros e seus países." A partir do momento em que se soube que Obama considerava nomear Hillary, foram levantadas questões sobre o trabalho de caridade de seu marido e se isso poderia representar um conflito de interesses para ela como secretária de Estado.  Novas políticas Hillary, de 61 anos, procurou contrapor o estilo de Obama com o isolacionismo assumido pelo governo do presidente George W. Bush. "Temos que construir um mundo com mais parceiros e menos adversários", afirmou. "Os Estados Unidos não podem resolver seus problemas sozinhos, e o mundo não pode resolver os seus sem os Estados Unidos."  Não era esperado que os republicanos tentassem barrar a nomeação de Hillary. Os integrantes do partido de oposição têm sido generosos em seus elogios à ex-primeira dama. O senador republicano Jim DeMint, membro do Comitê de Relações Externas do Senado, disse que Hillary expressa-se bem e que não cometerá "erros de principiante".  A senadora, que iniciou as primárias democráticas como favorita, mas perdeu para Obama, deve assumir o Departamento de Estado enfrentando uma ampla gama de desafios diplomáticos, da crise em Gaza e os esforços de paz no Oriente Médio até os temores nucleares no sul da Ásia. Em aspectos significativos, as visões de Hillary e Obama sobre política externa são compatíveis. Como Obama, Hillary disse que os Estados Unidos devem ter um comprometimento mais concentrado em estabilizar o Afeganistão e pressionar o Paquistão a eliminar os refúgios que os terroristas da Al-Qaeda encontraram em seu território. Ambos são favoráveis ao fechamento da prisão para suspeitos de terrorismo na baía de Guantánamo, em Cuba. Hillary e Obama apoiam a continuidade da expansão do Exército e dos fuzileiros navais e ambos consideram que a administração Bush desprezou a diplomacia internacional. (Matéria atualizada às 20 horas) 

Tudo o que sabemos sobre:
Hillary ClintonBarack Obama

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.