Anton Vaganov/REUTERS
Anton Vaganov/REUTERS

EUA não integrarão plataforma da OMS para garantir acesso global a vacinas

Decisão pode dificultar o cumprimento do objetivo da COVAX, que busca evitar que países desenvolvidos monopolizem as doses da vacina

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 02h16

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira, 1, que devido à ruptura com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não planeja integrar a plataforma criada pela entidade para garantir um acesso global e em termos de igualdade às vacinas contra a covid-19.

A Casa Branca explicou à Agência Efe que não tem planos de participar da plataforma, chamada COVAX e que já tem a adesão de ao menos 172 países, devido às diferenças em relação à OMS, acusada por Washington de favocerer a China.

"Os EUA continuarão cooperando com nossos aliados internaconais para garantir que derrotaremos este vírus, mas não seremos constrangidos por organizações multilaterais influenciadas pela corrupta Organização Mundial da Saúde e pela China", disse Judd Deere, porta-voz da Casa Branca, à Agência Efe.

A decisão pode dificultar o cumprimento do objetivo da plataforma da OMS, que busca evitar que os países desenvolvidos monopolizem as doses e deixem países mais pobres sem unidades para os cidadãos mais vulneráveis.

A plataforma COVAX visa assegurar uma distribuição equitativa da vacina, priorizando a população de alto risco em cada país, o que muitos especialistas consideram fundamental.

A Comissão Europeia (CE) anunciou na segunda-feira, 31, que contribuirá com 400 milhões de euros para a iniciativa, com a qual já se comprometeram Brasil, Alemanha, Reino Unido, Japão, México, Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela e República Dominicana, entre outros.

A decisão americana também pode fechar a porta para os EUA conseguirem doses de vacinas desenvolvidas em outros países e incluídas na carteira da plataforma COVAX, caso nenhuma das candidatas a vacina em desenvolvimento nos EUA seja viável.

A COVAX já tem nove candidatas no portfólio e, embora isso inclua três desenvolvidas por farmacêuticas americanas, muitos especialistas acreditam que Washington assumiu riscos demais porque poderia ter ficado dentro da plataforma enquanto negociava individualmente com as empresas.

"Os Estados Unidos estão correndo um enorme risco com esta estratégia de avançar sozinhos", disse Lawrence Gostin, professor de direito da saúde global na Universidade de Georgetown, ao jornal The Washington Post.

O anúncio vem dois meses após o governo presidido por Donald Trump anunciar a ruptura dos EUA com a OMS, que entrará em vigor em julho de 2021, a menos que o candidato presidencial democrata Joe Biden ganhe as eleições de novembro e interrompa esse processo./EFE

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